terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A realidade dos poetas.

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Odeio escrever por encomenda. Acho que escrevo melhor quando me 'dá um estalo'. Normalmente tenho idéias para textos nas horas mais inusitadas. Mas não poderia recusar o pedido de um amigo como o Rodrigo. E sobre o que me pede pra escrever? Sobre a realidade dos poetas. Mas eu não sou um poeta. Nunca tive muito talento para poesias. Métrica, rima não são o meu forte. Escrevo por hobby, diversão. Mas será que os poetas também não escrevem por isso? Lembro-me da famosa citação de Fernando Pessoa:

"O poeta é um fingidor. Finge tão perfeitamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente."

Realmente é isso. Quem escreve, em geral, é um grande fingidor. Inventa pessoas, cria histórias, desilusões, amores possíveis e impossíveis. Em prosa ou verso, descreve as amarguras da vida, os anseios, desejos, vontades. Transporta suas frustrações para personagens. Ou simplesmente lança emoções à esmo. Artigos, adjetivos, substantivos, pronomes. Meros vocábulos que nas mãos de um poeta ou escritor ganham vida e conseguem mexer com as emoções do leitor. Sentimos raiva, ternura, compaixão. Nos colocamos no lugar de quem escreveu aquele poema, aquele texto e procuramos sentir o que ele passava ao escrever aquilo. O que o motivou, o que o fez descrever tal acontecimento?

E quem pode garantir que ele apenas não tenha começado a digitar e saiu aquele texto? Ele estava sem nada para fazer, sentou na frente do computador, começou a digitar e quando se deu conta, um belo texto estava pronto. Será que Drummond, Quintana, Shakespeare se preocupavam com o que o leitor pensaria ao lê-los? Será que se torturavam ao não conseguir a rima perfeita, a frase de impacto?

Pode ser que um dia, caminhando pela rua, Drummond encontrou uma pedra pela frente. E ele pensou: '-Droga, tem uma pedra no meio do caminho!'. Chegou em casa, começou a escrever, mas a maldita pedra não saía de sua cabeça... 'Tinha uma pedra no meio do caminho/ No meio do caminha tinha uma pedra..." Pronto! Nascia uma clássico. E tudo por causa de uma pedra no meio do caminho do Drummond. Posso estar viajando, mas quem me garante que não foi por isso? Para mim, os escritores, poetas, autores, são pessoas comuns. Comuns até demais. Tão comuns, que acham suas vidas tão simples, que acabam criando histórias, personagens, verdadeiros universos. E somos brindados com poemas, poesias, crônicas, contos, livros, novelas...

Ou quem sabe, fazem parte de uma espécie mais evoluída, que através de mensagens subliminares querem distorcer suas idéias e estejam com um plano para dominar o mundo. Mas quer saber? Quem escreve é apenas um maluco. Um maluco que exercita sua loucura através das palavras.

E há ainda a última hipótese:

Maluco é você. Você que lê tudo isso que é escrito por esse bando de loucos. Você, que leu esse texto louco, feito por encomenda.

Leandro Faria Chaves, 03/04/2004


* Observação do autor do BLOG: "Lembrando que a metáfora "pedra" a que Drummond se referia era um morro que tinha no caminho que ele passava p/ ir à escola. No meio do caminho, o morro."

3 comentários:

Darlan disse...

um ótimo texto! Creio eu que muoitos já se perguntaram o porque escrever, e esse texto resume bem esses porques.

Abraço!

Leandro Faria disse...

Gente,
Eu nem lembrava mais que tinha escrito esse texto.
Caramba, de 2004!
Enfim, fiquei feliz em relê-lo aqui!
Grande abraço e obrigado pela consideração.
E, claro, ótimo 2008!

Leandro Faria disse...

Ah, o comentário acima é meu, do Leandro, rs...
Não consegui comentar assinando meu nome, he he he
Dae coloquei um email que tenho e apareceu esse nome q era um personagem q escrevia num blog séculos atras, rs