domingo, 21 de dezembro de 2008

em branco .


Sou um envelope branco remetido ao mundo pelas mãos do destino.
Sou um envelope aberto, pronto para acolher as pautas da vida.
Sou um envelope à espera daquele que fechará a minha boca com a palavra certa e, com o verbo necessário.
Sou apenas um homem na metáfora do envelope à espera de alguém que seja capaz de escrever comigo as histórias mais bonitas de amor.

Rodrigo .

sábado, 6 de dezembro de 2008

Outonos e outras passagens.

"A vida é passagem. Barcos que se vão, vidas que se separam e se despendem. Lenços acenando, anunciando que a saudade permanecerá.
As folhas que caem são uma forma de saudação silenciosa que aponta para uma nova estação que se prepara para chegar. Outono é passagem. É estação de preparação. E nisto está sua beleza. Consiste em ser o tempo que precisamos para perceber que já não é mais verão, e que o inverno ainda não chegou.
É a estação que nos ajuda na travessia sem traumas, sem mudanças bruscas. Tempo que nos prepara para o frio que nos envolverá.
Semelhantes às estações do tempo são as estações da vida. O seu coração sabe disso. Já provou diferentes formas de sorver a experiência de viver. Primaveras, com suas cores, amores, e encantos que são próprios desse tempo de frutos tão iluminados. Verões, com suas luzes, exterioridades, calores e noites mais curtas. Invernos, com suas restrições, belezas veladas que exigem observância maior, e um forte poder de nos levar para dentro de nós mesmos. Outonos, frutos e sabores de uma época que nos ajudam passar...
Você vive passando. Passa por muitos lugares, por muitas pessoas e por muitas questões. E passar é perder. É ganhar perdendo, porque não há perdas sem ganhos. É neste momento que o outono se concretiza em nós. No momento em que percebemos que o processo das perdas tornou-se inevitável. Tempo em que as folhas se despedem da segurança dos troncos, e caem, para que a vida continue em frente.
Eu sei que não é fácil viver essa estação. Apesar dos seus múltiplos encantos, ela não parece combinar com sua pouca idade. Você vive a ansiedade dos ganhos, e definitivamente ainda não quer ouvir falar em perder. Mas a maturidade não vem ao coração humano se não for por meio das perdas. Porque viver é perder. É deixar de ser o que se era para se tornar uma nova pessoa a cada segundo vivido. Perdas físicas, afetivas e intelectuais. Deixo de ser criança, de ser tratado como criança e de receber a atenção dobrada que até então podia receber sem implorar. O outono chegou. É tempo de passar, de assumir o novo, colher os frutos que a antiga estação legou-nos e semear os novos que cultivaremos.
É tempo de pensar com mais seriedade, de fazer escolhas, investir nelas, renunciar situações, e deixar que se desprendam dos ombros os excessos que insistem em nos pesar.
Tenho encontrado muitas pessoas que se tornaram infelizes porque não deixaram a vida passar, nem deixaram as folhas caírem. Viveram e assumiram a tentação de se fixarem nos acontecimentos. Assim, impediram que as estações trouxessem as belezas de suas diferenças. Ficaram tentadas a estender a primavera por mais tempo. Outras o inverno. Há quem se fixa na alegria, e outras na dor. É justamente nesse momento que o outono perde o seu poder de transição. Rejeitar a passagem é privar-se da renovação das folhas, que num futuro muito próximo, nos presenteará com novos frutos.
Eu não sei como anda o seu coração, mas tenho uma ligeira intuição de que você também teme as passagens, e que de alguma forma está insistindo em fixar experiências que foram feitas para passar. Não tema a passagem, nem as perdas que dela nascem. Só poderá provar o encanto da novidade quem se entregar aos braços do outono. E então você se surpreenderá com o crescimento que o desprendimento trará ao seu coração.
É muito tentador querer que a vida seja sempre marcada pela alegria. Mas sabemos que não é assim. A sabedoria consiste em acolhê-la como ela nos vem. Outro dia escutei um rapaz me confessar uma dor muito profunda. Depois de ouvi-lo perguntei: "Onde está a beleza de tudo isso que lhe faz sofrer?" Olhou-me assustado e disse: "É possível haver beleza aqui?".
Foi então que lhe falei dos segredos do outono. Mostrei-lhe o quanto é belo o processo do sofrer, ainda que doído. Evidenciei o quanto as perdas despertam-nos a criatividade e dei-lhe exemplos de homens e mulheres que só se tornaram grandes na vida porque um dia souberam sofrer de maneira redentora.
Ainda que numa fração de segundos, experimentamos a beleza de ver o tempo se acomodando em nós. Com suas propostas, imposições e mudanças. O outono é justamente a ponte por onde a vida se transporta para dentro de nós. E então nos percebemos diante de realidades que não imaginávamos um dia ter que tocar. Há outonos que duram um dia, outros, alguns segundos. Cada coração o percebe de acordo com suas condições."

Pe. Fábio de Melo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Carta do dia: 8 de copas.


As pessoas não são descartáveis. Algumas apenas não cabem no tamanho da nossa essência. Sou Leonino e me apego fácil às pessoas, vezequando sofro com isso - ontem deitado no meu travesseiro me recordei de algumas pessoas que passaram pela minha vida ao longo desses 3 anos, confesso: gostaria de ressuscitar algumas em mim, mas elas são definitivas demais e incapazes de ressureição.

Abro o meu e-mail e recebo a seguinte mensangem:

Identificando a negatividade

O 8 de Copas surge como posição de aconselhamento neste momento de sua vida, Rodrigo. A mensagem deste arcano é muito clara: identifique as coisas, pessoas, hábitos ou situações que não lhe servem mais e gentilmente se despeça de tudo isso. Esta é a hora de separar o joio do trigo, de encarar a necessidade de abrir mão de todas as coisas as quais você se apega, mas que não fazem mais sentido. Pode ser um processo doloroso, mas você entenderá como se trata de algo necessário. Confie! Deixe o tempo passar, ele cura todas as feridas. O que não vale é ficar se lamentando aos quatro ventos, pois isso lhe tornará alguém pouco atrativo, com quem as pessoas não desejam estar. Lembre-se que a pérola, como dizem os poetas, nasce do sofrimento da ostra. Neste momento, talvez seja bastante útil observar o sofrimento dos outros, a fim de que você perceba que há outras pessoas com dores muito mais sérias do que as suas. Quando cuidamos da dor do outro, o nosso próprio sofrimento parece se aquietar.

Conselho: Vá além de sua própria dor. Supere-a!


Assim o farei. Blues.