Fico a pensar nas palavras, recados que recebo de algumas pessoas que por aqui passam! Hoje mesmo abri o meu espaço e estavam lá, meias palavras de um rapaz que mora em São Paulo, revelando que os meus textos sangraram nele... Foi aí que logo pensei no significado da palavra - ela que abre portas e quartos em nossa vida que até então ninguém havia conseguido. Palavras são como chaves. E a nossa vida, como uma grande casa, repleta de cômodos. Quem dorme na sala ou ceia na cozinha, às vezes não vê o choro no quarto, nem mesmo os sonhos que lá permanecem trancados. Pessoas que fazem catarse nas páginas de tantos momentos da minha vida. Sou um homem como qualquer outro, a diferença talvez esteja na resposta que dou quando por diversas vezes a dor me visita. Eu poderia transformá-la em desânimo, sofrimento aniquilador, mas não, os meus sofrimentos viram textos, páginas de um blog que sinalizam que a vida é bonita e, é nela, somente nela que posso deixar minhas marcas. Mas lendo esses recados de pessoas como o Marcos, e alguns outros que acenam um lenço branco na multidão dizendo que passou por aqui, é que compreendo que minha vida não é o único lugar para atuação - eu posso mudar a vida de alguém, resgatá-lo da dor, da solidão com um simples post. Eu não sou Deus para ressuscitar os mortos, mas Ele têm me ensinado a ressuscitar os vivos! O que eu queria era olhar nos olhos de cada um e dizer o quanto também sou restaurado quando recebo um e-mail desses... A vida é um ciclo. A sobrevivência também - quando "salvo" o outro, de alguma forma colho vida em mim. Existem aqueles que passam por aqui e permanecem em silêncio. O que sei é que nesse constante ir e vir, o rosto anônimo insiste em permanecer vivo na retina de minhas saudades. Pessoas que escrevem aqui, e que nunca vi o rosto. Pessoas que deixam recados, insistem em acenar um lenço branco de paz, desejosas de que um dia a gente pudesse passar horas e horas falando de como nascem as dores, as saudades, os medos, e de como é doído ser gente nos dias de hoje. Pessoas que me receberiam na cozinha de sua casa e que repartiria comigo a intimidade de sua vida. Pessoas que eu amaria com profundidade, que eu seria capaz de dar a minha vida por elas, mas que eu não tenho tempo para conhecer. Quantos braços querendo abraço, e que eu, pelo limite do corpo não alcanço. Emails deixados na caixa, a esperança de respondê-los, pedidos de socorro, de apenas uma palavra que as confortassem. Oh, minha gente! Talvez eu não tenha a receita para sarar a dor, nem para acertar na felicidade - mas tenho um sorriso pra revelar que ele só é verdadeiro porque soube germinar num momento de dor. Eles são mais verdadeiros... Venha de onde vier, mas venha. Há sempre um quarto preparado para quem não tem onde dormir. Há sempre uma mesa posta, ainda que na madrugada.
Rodrigo .
Um comentário:
Legal Rodrigo, sempre fiz muito barunho por pouco ... auhauhauha ...
to brincando.
Mais aí eu te pergundo com uma resposta pergunta de uma resposta: não será a dor uma alegria ao contrário? Não seria a felicidade uma dor?
Talvez entre inúmeras possibilidades existem respostas para todos os sabores e perfis.
Teimosos seremos, por isso estamos vivos. Eu sou testemunha viva disto que te falo.
Valeu mesmo cara!!!
inté mais.
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