
UTOPIA
Composição: Pe. Zezinho
Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar
Meus pais não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar
Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava
O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então queria
Ver papai cantar pra gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente
O tempo passa
E eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Enquanto muitos não a tem
Agora falam
Do desquite, do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém
Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho de seus pais
Se os pais se amassem
O divórcio não viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.
3 comentários:
É uma bela letra, principalente os versos que falam do olhar e do sorriso. Tão singelos e tão preciosos.
Abraços!
Eu amo esta música do Pe. Zesinho.... Uma bela opção de postagem... Um forte abraço Amigão
Essa música esteve muito presente na minha vida. Em casa tinha muitos discos e fitas do Pe. Zezinho. Acho essa
letra 'primorosa' (interferência da nossa professora. rs) assim como Águia Pequena. As duas me emocionam muito.Depois que a gente cresce um pouco e começa assumir um monte de responsabilidades para as quais acha que nem está preparado, como a gente sente falta desse aconchego do lar da nossa infância. A coisa que eu mais sinto saudade é de quando chovia forte e apagava a luz, porque aí, adivinha, naõ tinha como ver televisão, então, a familia se ajuntava e começava a conversar no escuro. Quanta proximidade havia nessa hora, risos, afagos e parecíamos uma comunidade, havia uma aliança entre nós (...).
Era tão gostoso. Quando 'armava chuva' eu ia antes tocar violão e meu avô dizia: - Tá chamando chuva aí menina. rs.
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