sábado, 26 de janeiro de 2008

Eu quero o colorido.

Gosto de pensar na vida além de qualquer definição. Perde-se o sabor das coisas quando não existe uma liberdade capaz de trazer novas flores. Sempre quando olho para um jovem, assim como eu, fico tentando descobrir no olhar o brilho que existe no coração - os sonhos que ardem na madrugada e os encantos que os consolam. O jovem carrega o fardo de ser protagonista de um mundo novo. Confesso que isso é pesado demais. Ninguém muda o mundo sozinho, essa mudança é questão de parceria. Ontem tive a oportunidade de reencontrar amigos numa mesa de barzinho - início de noite de uma sexta-feira... da sacada onde estávamos, eu via um grande fluxo de jovens com roupas pretas e longas. Uma forma diferente de mania, crença ou hobby. Mas o que sei é que muita das vezes e de forma freqüente, esses jovens não estão ali para curtir um novo estilo, mas para reproduzir a dor que sentem pela ausência de um pai, de uma mãe e de sonhos anulados. Eu sou jovem e não tenho preconceito algum. Tenho lá minhas manias, meu hobbys e meus desafios a serem vencidos.
Roupas longas sinalizando que a dor também é longa quando não existe um elo entre o amor e a realização. Cor que não dança com outra cor, mas tece a tristeza e celebra a falta de afeto que muitos, não todos, vivem a mendigar. Jovens que se reúnem para celebrar um mito ou suas verdades e, são nesses encontros que as dores são partilhadas no mesmo prato - arroz e feijão, sem necessidade alguma de um vocabulário clean, mas puramente percebido nas canções que cantam e reproduzem de autores que também experienciaram a falta de.

Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor... E toda dor, vem do desejo de não sentir-mos dor... ( Renato Russo ).


A cor não reina na capacidade de amar, nem de transformar o mundo. Mas elas reinavam no rosto daqueles jovens que por aqui circulavam. Que ficasse o preto, mas que reinasse o sorriso. O problema é que a família não dá acesso ao diálogo e quando isso acontece, o diálogo é personificado na ditadura do pai ou da mãe. Jovem pensa diferente, ama diferente e têm paixões diferente... Eu mesmo já me fechei por ter que "engolir" as verdades dos meus pais - bem entendo que eles sempre quiseram o meu bem, e contestar ou expor minha opinião seria uma forma de "desrespeito". Eixste apenas uma verdade ou será que a sua verdade não é a minha verdade?
Talvez esse post não será lido por pais, mas se for que eles sejam capazes de cavar na escuridão do silêncio do filho, diamantes que merecem ser lapidados. A gente que é jovem dá grandes sinais exteriores do mundo interior que estamos só. O que precisamos é de acolhida, respeito à diferença e amor.
Existem corações que se cobrem de escuridão porque os pais não souberam cobrí-los de abraços nas manhãs...

Rodrigo .

Foto: Lecs - My brother.

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