
Na vida já enfrentei inúmeras dores. Algumas que me tiraram a paz, outras que me fizeram mais homem. Quisera eu compreender a vida sem as precariedades que ela possui - dores que me ensinaram a viver melhor. Recordo-me de Adélia Prado, mulher fina e que celebra no cotidiano a explosão de ensinamentos retirados por vezes da dor.
Dores que encontramos no olhar e no silêncio daqueles que não conseguem traduzir o que sentem em desabafo ou poesia. Nunca presenciei em sala de aula, no tempo em que eu era menino, a dor no rosto de algum companheiro(a) que reclamasse por falta de pão ou de um amigo. Mas já ouvi histórias que revelaram que existem pessoas que carecem de amor e também de falta do que comer. Uma amiga me disse que quando estudava no ensino médio, havia uma amiga que por meses contou com a solidariedade dos amigos por não ter o que comer e nem materiais para a higiene pessoal. Fiquei pensando na responsabilidade de ser educador. O Educador não é o salvador da pátria, mas pode salvar vidas, retirando um pouco os olhos do livro e direcionando-os para o livro da vida com alegrias e desgostos que todo aluno traz. Tenho medo dos professores que enxergam turmas, multidões. Professores que ditam regras, ensinuam ensinamentos, mas quando precisam que tal verdade funcione em sua própria vida, fracassam!
Uma vez recebi um bilhetinho de uma professora que eu tanto admirava. Eu fiquei tão feliz! O pequeno bilhete se perdeu no tempo, mas as poucas palavras nunca sairam de mim - às vezes me salvou de momentos de morte.
Trago em mim todas as responsabilidades éticas da minha profissão, cumprirei uma por uma. Mas não posso limitar a minha humanidade numa barreira chamada: porta de sala de aula. Tive professores que me ensinaram a lapidar o que de melhor eu tinha, mas não conhecia... Tive professores que me ensinaram que estudar é muito mais que uma questão de sobrevivência, e sim de formação intelectual, psíquica - moral.
Na vida também é assim - podemos matar ou estimular àqueles que são confiados a nós... Hoje sento no chão, e vejo os primeiros sinais do brilho que um dia eles me ensinaram a lapidar. Gostaria que todos estivessem comigo nesse momento. Tenho saudade de cada um! Por isso, só dê ouvidos a quem te ama.
O que tenho é um pequeno diamante lapidado pelo saber - cores que se misturam na alma, que me ensinam a ser gente e que me motivam a partilhar o que de graça eu recebi de Deus pelas mãos dos Grandes professores. A sala de aula vai passar, os professores passarão, mas o amor que eles ensinaram permanecerão até o fim, isso, se para o amor existir um fim.
Rodrigo.
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