
Hoje é o 4º dia do ano de 2008. Ainda há vinho sobre o chão, alguns livros espalhados no quarto e uma calça jeans lançada ao chão. Ainda há resquícios de um ano que me deixou marcas profundas - feridas abertas que ainda sangram. Tudo é muito recente para mim: as promessas feitas, os amigos novos e esses quatro dias injetados em minha veia de forma vital. Enquanto vou sendo preenchido pela esperança de um ano mais bonito e menos duro, minhas feridas vão sendo lavadas... Recordo-me quando pequeno - Era gostoso chegar da escola, comer algo e ir para a rua brincar de viver. Difícil era o dia em que eu não voltava com algum machucado, alguma ferida. O meu maior medo não era apanhar de minha mãe, o medo que eu trazia era de ter que tomar banho e lavar a ferida. Na vida também é assim. A gente se entrega, se ilude e as feridas se formam. Colocamos um "pano quente" e deixamos que a situação piore, e a dor só vai aumentando, aumentando e a gente se torna infeliz. Machucado só se cura com água e sabão, minha mãe dizia. É preciso passar a buxa (eu odiava aquelas que davam no quintal de casa, ôh troço duro!)e tirar todo excesso que pudesse me contaminar.
Eu não descobri o tamanho da ferida. Mas tenho descoberto o tamanho da dor. Q 2008 seja de água, que 2008 seja de sabão, seja de abraço, seja de colo de mãe. Q o meu quarto não seja lugar de espera, nem de solidão - mas de encontro com o definitivo... definitivo jeito de amar e acolher o amor.
2 comentários:
O fim do texto é arrebatador! E como diria Caio: "essa morte constante das coias é o que mais dói", e "depois de tempestastes e naufrágios aquilo que fica é cada vez mais verdadeiro e essencial". Que 2008 seja ano de colher bons frutos.
;-)
ah! eu adoro buxa, dessas mesmo de roça, enormes e cheias de sementes. é só dar um trato nela, rs. ela amacia!
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