sábado, 26 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

nunca o amor foi assim




nunca houve um tão imenso lago
onde o rosto pudesse banhar
sem o receio de outrora...
nem o medo aplacar sem o engasgo
viscoso na aurora...

nunca houve um tu tão imerso em mim
quando a festa do sol e o sono lunar
não tivesse um fim...

nunca houve a palavra mansa,
a calidez do tépido beijo - entre a fadiga e a sesta-
a não buscar na testa
a auréola de anjos escusos
nem o paralelo de horas
ou os minutos difusos
dispersos em meu relógio de brisa
a rasgar meus farrapos em trapos
da numerada frisa
de onde assisto ao drama de meu renascimento...

nunca guiei um dia sequer,
sem a pena por detrás das grades
de mim, este ser qualquer,
renegado e tísico no Hades
a buscar um beijo lucifer...

nunca um nunca foi tão pleno,
tão próspero e tão cântico sereno,
deste homem sem cartola e sem vintém...

nunca o além foi logo ali,
me deponho e me devolvo para ti!
(de rodrigo barata para rodrigo rudi)

Ensinamentos .

A vida é um caminho a ser percorrido. Não existe beleza no trajeto, fora da opção em recolher o aprendizado que nasce do espinho. É que nem sempre as sandálias são fortes para proteger o coração. Num derradeiro momento elas suportam o chão, em outros elas abandonam os pés. Existem aqueles que protegem o corpo, mas não preparam o coração para o ensinamento. O êxito não está no acúmulo de anos vividos, nem de conquistas, mas na contemplação daquilo que existe de melhor dentro de cada um de nós: a essência.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

E-mail de um amigo, leitor ...

Encontro



Um menino bonito cruzou meu caminho. Tão simples, pensar assim: ele cruzou. Mas foi. Numa tarde sem graça. No isolamento da minha descrença. Na confusão do meu cotidiano de pesquisador mal pago, porém, privilegiado e meio isolado dos outros amigos, que trabalham muito mais do que eu e conseqüentemente não têm muito tempo para mim, um menino bonito cruzou meu caminho.



Não resisto à tentação de dizer: como no deserto de almas narrado por Caio F., ele apareceu no meio, não do lixo (por que hoje eu não estou perverso), mas da imprecisão, fluidez e fugacidade da cibernética Grande Rede.



Ele deixara comentários acerca de boa (e má) literatura nos meus textos e eu, paranoicamente, respondendo mais a uma insegurança minha do que propriamente sobre o que ele escrevera, escrevi uma... réplica(?). Colocando um sorrisinho no final da mensagem para amenizar a situação: quem seria aquele cara (olhos claros... hum) dizendo que eu queria ressuscitar Caio F.? E seria possível? E Caio queria? Lembro de Frida, dor: “Espero partir tranqüila e espero nunca mais voltar.”



Com a estranheza de quem ainda se espanta ao aperta um botão e fazer surgir perfis, dados, intimidades. Localizei a ficha do menino bonito sem muito esforço. E quando falo estranheza não é só estranheza. Para alguém que meio perversamente monopolizava o saber sobre como programar o vídeo-cassete e armazenava víveres em VHS (se não exclusivos, raríssimos) ver as facilidades e disponibilidades de dados na net, pasmem, ainda me deixa perplexo. Mas estou fugindo. No momento em que localizei os dados do menino ele ainda não era adjetivado. Era só um menino. Eu, simulacro de precário-hacker-da-caatinga, adentrei e vi a beleza. Como semi-egoísta que sou (ou seria uma característica típica do humano?) Me encantei pelo que vi de mim nele (narcisismo?). Não, mas não foi só por isso. Posso dizer que este foi o primeiro momento. Pausa. Paro. Minimizo o word. Acesso o Blog dele. Verdes, eu acho.



E a surpresa foi, mais uma vez não resisto e parafraseio Fernando, o Caio: ver o bonito de fora que parece refletir o bonito de dentro. Híbrido. Apaixonado. Sinceramente (e sem pose) re-ligado com o transcendente (na qual ele acredita). Almágamando Caio F. e Ziza F. dentro de uma cabecinha linda que escreve suas verdades sobre amor, diamantes e dor às vezes num tom meio Pe. Zezinho (quem leu sabe. Eu não só li como conservo alguns livros dele periodicamente revisitados). E o que me encanta é essa ternura e às vezes plena leveza similar à criança soprando esse negócio que nunca sei o nome numa fotografia postada em seu blog



E foi diante dessa blog que fala do fundo da miséria e dos aleluias do humano que eu vi o mais belo dele (talvez tão bonito quanto deve ser o seus olhos em dia de céu sem nuvem): a sinceridade pulsante da perda do irmão. Que bonito e triste aquilo.



Queria tanto falar pra ele sobre tantas coisas. Mas tateio como é lícito aos seres que estão apenas se aproximando. Aproximando seria um termo correto? Preciso? Afinal por mais que as afinidades gritem, nunca se sabe onde, em que ou, eventualmente, (as vezes distraído, às vezes nem tanto) em quem está se pisando.



Queria falar ausência de um irmão na infância, de como no páreo Caio x Ziza. Caio não se sincretizou com a curitibana. Falar das minhas fases com ela, o encantamento cego, as decepções quando vi ao vivo alguém mais humana do que eu esperava (demasiada e às vezes elitistamente humana). O arquivamento dos cds autografados, as ‘recaidas’, as eventuais reconciliações e, talvez hoje, a confortável e quase total indiferença em relação à ela e seu trabalho.



Mas qual seria a utilidades disso tudo? Para quê um estranho próximo da linha do equador alugaria o ouvido de um pobre interlocutor ao sul o trópico de capricónio? (Zodíaco? Premunições?) Ou apenas para redigir textos pretensamente belos, supostamente publicáveis. Ainda que, no meu caso, e eu falo só por mim, isso nem chegue a acontecer por que meu blog está desatualizadíssimo. Ou seria apenas por que (e agora coloco exatamente ele –o poeta e a poesia- pra tocar enquanto escrevo) “ a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Ok, ok é algo meio ensino médio, mas não menos verdade. Ou na mesma linha diria que é lícito por que lendo aqueles textos me fizeram sentir menos incompleto? Derrubo neste momento no chão e com os pés, (desastrado que sou) dois cds e um deles: Essência. “Deus não vê como o homem, pq o homem vê a aparência mas, Deus olha o coração”.







Então você entra hoje no MSN e me diz algo tipo “Olá menino lindo”. Eu completamente distraído e parcialmente blasé (a típica pose idiota da internet. Burra e osmoticamente assimilada) acho que não fui muito, digamos assim, elegante com você. Então queria dizer meu recentíssimo caro: você é que é lindo. E sigamos principalmente por conta da agradabilidade (e essa palavra existe?) que um promete/ parece ser na vida do outro. Pra mi você já é.



Você é Belo rapaz.







Alexandre S.