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Eu, do sonho à saudade!

Posted by Rodrigo . on 18:45

Hoje, senti saudade da minha primeira professora. Sonhei que a minha escola havia sido demolida e como menino triste, recolhia entre os destroços fragmentos que ficaram eternizados sem as pessoas pereceberem. Enquanto algums meninos se divertiam com o futebol bem próximo a ela, eu pensava como reerguê-la num texto. Acordei pensando: pessoas também são assim, depois de um certo momento, elas não estarão visíveis diante da gente, aí será o tempo de ressuscitá-las dentro de nós. Quem precisa ser ressuscitado dentro de você?

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Ele em mim .

Posted by Rodrigo . on 17:02

Amor gostoso é aquele inesperado. Aparece na calada da noite ou numa simples imagem na tela do notebook. É que nem sol inesperado num dia frio e nublado. Quando a gente se prepara para viver um longo inverno, o sol nos abraça com a sua novidade. Amor inesperado é novidade bem vinda. Fico a pensar naquele sorriso inesperado que me acolheu naquele dia banal e de chuva. Tudo o que a terra lavava por fora, o sol fizera do meu coração, morada. Por fora era noite, por dentro a primavera anunciando a manhã que traria girassóis. Amor gostoso é aquele inesperado. Vem quando a gente mais precisa e se aloja em algum canto da carne para depois ir construíndo sua casa na alma. Amor vive de adoção. Só que o adotar desfrutará o que de melhor ele poderá oferecer. Assim são os amores. Os amantes. Gente que é capaz de reencontrar o parceiro como se fosse o primeiro dia de encontro. Embora com 20 anos de matrimônio, carrega a leveza do primeiro dia que se encontraram, por isso estão juntos. Descobriram que o inesperado de toda uma vida é viver o eterno que o outro oferece quando ama. Minha vida têm sido visitada por um amor inesperado - alguém que me ganhou pelo sorriso e pelo olhar que depositou em mim. Amor à primeira vista interior - desses que a gente olha pra dentro de si e identifica a semente de paz que o outro depositou dentro de nós ao nos encontrar. Amor que gera paz e sobrevive de futuros. Algumas palavras via era digital, mas empacotadas e bem endereçadas. Amor que me desconcertou com seu jeito de poetizar, sorrindo. Jesus era mestre em se apaixonar através do diálogo. Foi assim que me apaixonei por você. Palavras que se abraçaram e comunicaram ao meu coração, que nenhum verbo lançado da tua boca seria em vão em mim.
Depois que ele chegou, a solidão arrumou as malas e pegou o primeiro ônibus. O medo se suicidou e todo o cinza dos meus dias se converteram à religião da poesia. Meu coração é festa diária, é fogueira de São João. É balão. Com ele, abraço é cura e sorriso é convite.
Depois que ele atravessou a ponte que leva até mim, as pipas voaram mais alto, os livros choraram e cada poema que leio pensando nele, se convertem em flores.
É anjo no nome, na companhia e na docilidade ao me tratar. É herói no cotidiano e pauta fiel a esperar o amor que é lançado sem medidas do meu peito.
Nunca avistei uma poesia tão linda quanto ele. Nunca o paladar da minha alma foi tão bem servido depois que ele fora capaz de depositar nos meus sonhos o alimento saciável do jeito de amar.
A paixão é a janela aberta num dia de sol. O amor é a luz da fresta. Só é capaz de amar quem for capaz de observar no outro o bonito que ele traz, ainda que na condição mais sofrida. Por isso que amor é luz que passou pela fresta. Reconhecendo a pequena proporção que poderia causar do outro lado da parede, naquela imensidão de escuridão, ele chega, ilumina e aquece o que alcança. Meu coração de quarto escuro, foi visitado pela ponte de luz que ele conseguiu depositar e assim me alcançar. Naquele momento nada me importava mais além do calor que me curava do abandono de outros amores. Paixão é necessária, mas amor só sobrevive depois da janela fechada. Na vida é assim... quando a pessoa menos merecer, é o momento em que ela precisa mais do nosso amor. Não sei se merecia tamanha luz. O que sei é que ela chegou e me alcançou. O que mais sei é que longe dela não quero andar. Porque se existe um milagre que o amor pode fazer é ressuscitar diariamente. E comigo têm sido assim: todos os dias quando me recordo que ele faz parte da minha vida, eu sou um novo homem ressuscitado por seu amor.
O que me fez passar pela janela aberta, não foi o que ele me disse, nem o que senti, mas foi no que ele me fez acreditar - no possível que só o amor pode dar a quem se quer bem. Se você pode me ressuscitar em algumas semanas, o que poderá fazer ao meu lado pro resto da vida? Com você eu sei o que é eternidade. Palavra que só existe pra quem foi visitado pelo amor e hoje, sabe amar.
Eu te amo!

Rodrigo .

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Alma dilatada .

Posted by Rodrigo . on 13:13

Não é tão simples saber se o outro nos ama ou não, mas há uma pergunta que podemos nos fazer e que contribuiria para que nos aproximássemos de uma resposta. Depois que ele chegou, a nossa vida, diminuiu ou dilatou-se?

Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que eu quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim ...
Pra me fazer ver o que sou e que só você viu.
Pra eu ser capaz de amar também
O que só você amou.
Não quero construir um casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser.

O amor só acontece quando deixamos de imaginar. Só a realidade autentica o amor, demonstra sua verdade.
Uma coisa é certa: quanto maior o bem que nos provocam, maior é o desejo que temos de ficar por perto. O desejo sobrevive assim.
O amor só pode acontecer nas pessoas que atravessaram a ante-sala da paixão. Somente depois de conhecidos os limites e virtudes é que o amor é real. Amor é como ponte. É preciso construir a todo instante o acesso ao coração do outro, o levando a enxergar o que antes, havia sido anulado pelo sequestrador. E o mesmo se dá na ponte que o outro é capaz de estender até nós, ampliando o desejo em nível elevado para se obter o essencial e o inesperado do outro. Amor só é amor quando o outro nos devolve a nós mesmos. Ao dizer que sinto falta do outro, eu sinto falta é de mim mesmo.

Que o seu chegar seja mais um simples chegar. Que seja o símbolo de um tempo de demoras e permanência. Deitarei a toalha branca sobre a mesa e permitirei que tuas pontas venham cobrir também a minha alma. Cada vez que nossa mesa é posta, muito mais que um almento, a vida nos é oferecida! Que seja assim. Que nossa fome de amor seja sempre saciada nos olhares dos quais nos serviremos. Por isso, te amo.

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A beleza da espera .

Posted by Rodrigo . on 11:42

Fico a pensar que as relações não dão frutos, porque o tempo necessário para o amadurecimento não é permitido. É podado antes da hora. Cria-se uma expectativa em depositar no outro a salvação das nossas carências e o essencial fica esquecido. Cada vez mais o homem contemporâneo traz essa marca de solidão. Isso é fato na literatura e, mais que fato em grandes páginas de livros, é a grande "mancha" que o homem pós-moderno possui. Assim é comigo ... Assim é com você !

Exigimos que o outro seja reflexo da idealização que formamos dentro de si. Repito: cria-se expectativa e acelera o processo de olhar o outro com olhos demorados. Chegar no outro ou ter ser favorecido pela surpresa de alguém na vida da gente é simples ... mas corremos o risco de não mantê-lo por perto se o nosso egoísmo de nos satisfazermos for maior que a lição da espera e do olhar demorado. Conhecimento não rima com pressa. Amor também não.

As pessoas que você mais ama, são aquelas que você mais conhece. Por que no namoro seria diferente ? Namoro é justamente esse tempo de aproximação. Quem acha que receber o sim de alguém é garantia de um namoro feliz, ainda precisa ir além. É aluno na fila de espera para aprender as lições da vida. Receber o sim é partida. Olhar demorado para o outro, o acolhendo na perfeita alegria e o reconhecendo como alguém que vale à pena nos degraus mais baixos da vida é caminho .

Um amigo muito querido me pediu para eu analisar uma letra de música e partilhar com ele o que eu havia encontrado. Inicialmente achei estranho. O que encontrar numa letra de música além do que se canta ? Aceitei o desafio . Com aquela pequena letra diante de mim, me arrisquei a ir mais fundo no que ela poderia me ensinar. Confesso que a primeira leitura, a parcial foi simples e com resultado intediante. Bem, só uma história chatinha de um homem que quer voltar a ser menino para reencontrar a sua amada.

Não me contive apenas com essa resposta. Fui além. Dividi cada estrofe, analise demoradamente cada verso, observei a estrutura gramatical das palavras, debulhei cada valor que uma possuía e fui tecendo ali, naquele instante, o significado e a beleza de cada parte. Em cada verso e em cada significado eu descobria o que pela passagem rápida dos meus olhos eu não havia encontrado. Por fim, partilhei com ele a beleza de ter demorado em cada linha para revesti-la de um novo significado. E em seguida ele me disse: "Rodrigo, eu não tinha visto e nem fazia ideia desses detalhes."

Como ele é cantor, perguntei: "Mas para quê você quer essas interpretações?" E com tamanha sabedoria me respondeu: "Para eu saber o que estou cantando."

Na vida também é assim ... a gente só ama aquilo que formos capazes de conhecer. A grande raiz dos nossos fracassos nos relacionamentos, talvez seja a pressa que temos em querermos frutos que só virão com o tempo e, com olhares demorados. Desacelerar é um dos verbos que promete felicidade! Ao menos, seja rápido para compreender o que seja o amor. O que dá testemunho de nosso amor não é a declaração que fazemos por meio das palavras, mas é a linguagem dos gestos que concretizamos diariamente ao saber que o outro, assim como eu, precisa ser encontrado, não esbarrado.

Rodrigo .

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tempo .

Posted by Rodrigo . on 18:10

Quando as pessoas se ausentam da nossa vida é que descobrimos o tamanho que elas ocupam em nós. Era um dia de sol, folhas dançando ao vento, crianças correndo na rua, mas a minha casa no calvário com o meu irmão morrendo. Me recordo como se fosse hoje ... o sol a brilhar, o movimento em casa esperando a ambulância chegar, e ele ali, deitado, ancorado nas dores, num terço branco que o envolvia nos braços e com um olhar sereno de que mesmo na dor a vida tem o seu valor. Me ofereceu chocolate que estava na geladeira, e a sorrir, me olhava. Ele foi um herói não por ter me oferecido chocolate, mas por ter colocado o sorriso acima da dor. Hoje o que eu mais queria era ser forte como ele. A minha dor é bem menor, e mesmo assim o sorriso não a sobrepõe. Sou fraco.
Naquele dia queria apenas amá-lo no silêncio. A única coisa que fiz foi beijá-lo no ombro enquanto ele era levado escorado pelo meu pai. Já não aguentava andar. Essa fora a última vez que tive com ele. Hoje fico pensando no que eu poderia ter dito e não disse ... da oportunidade que eu tive de dizer o quanto ele era especial para mim e eu não o fiz, talvez por imaturidade ou atitude própria de um adolescente comovido com a dor do irmão.
Se eu pudesse voltar no tempo e abraça-lo forte, eu o faria. Ele me faz muito falta. O que tenho vivido por esses dias me recorda o mesmo ensinamento ... ter alguém especial ao meu lado e eu me deixar agir pelo medo - medo que me paralisou e feriu o outro.
No fundo, eu tinha esperança que meu irmão voltasse. Aí faríamos festa, andaríamos de bicileta e soltaríamos pipa ... Mas ele não voltou. Fiquei com a dor da saudade e o desejo de um dia reencontrá-lo.
Vivendo uma grande dor por esses dias, me recordo do quanto é necessário deixar o medo de lado e lançar ao que o coração convida. Por ser fraco, firo e por ser humano corro o grande risco de perder mais uma pessoa especial da minha vida. Posso ser fraco, mas Deus não me retirou a capacidade de amá-lo e o desejo de ser um Rodrigo, melhor.

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O sabor é tão simples!

Posted by Rodrigo . on 11:50


Ao meu amigo, Leganza.

A vida está sob o olhar e o toque daqueles que perdem a pressa no passo. O contrário disso é o acúmulo de tantos afazeres. Existem pessoas que não dormem bem, acumulam atividades ao longo do dia, vive para servir ao trabalho, aos compromissos do cotidiano e ainda reclamam que o tempo é curto para realizarem as mais diversas tarefas. O dia não passa de mais uma oportunidade para arrecadar renda para o fim do mês; o almoço é curto, preciso visitar um cliente; a mesa não é de pão e partilha, é de pressa e tormentos. Não existe sabor pela vida, existe a perda de um tempo que não poderá ser resgatado. O trabalho pode esperar, amanhã ou depois ele virá do mesmo jeito, trazendo as mesmas preocupações - o que não será o mesmo, é o olhar do filho que depositará no coração a marca de um pai ausente, embora presente em casa todos os dias ao fim do dia.
Viver requer colheita de cada dia. O trabalho dignifica o homem a partir do instante em que ele é colocado no devido lugar. O olhar necessário, o diálogo caloroso no café, o agradecimento pelo existir, a presença necessária que modificará a vida do outro para melhor, a disponibilidade para saborear a vida, o gosto do café às 16h, o bom livro comentado, a poesia no bolso e a notícia do jornal periodicamente patilhada são indícios que existe vida sendo tecida na grande teia do hoje.
Há quem ensine tantas coisas, como conquistar o mundo, o melhor emprego, ou receitar o melhor antidepressivo, mas são poucos os que indicam os pequenos gestos que trarão cura para um coração solitário numa multidão. A ansiedade não combina com a leveza da vida.
As tardes deviam nadar nos corações, mas como declama o grande poeta Ésio Macedo Ribeiro: "As tardes nadam nas ruas."
As pipas deviam voltar às mãos dos grandes, porque cresceram demais e perderam o sentido maior da vida que é vivê-la em seus detalhes. São eles que produzem a grande diferença em nossa estrada. O sal que dá sabor à comida é um grande exemplo. Está diante de nós todos os dias, mas não percebemos o processo que ele cumpre diante da comida. O sal é pequeno, leve, não causa alarde e fica no canto mais escondido da cozinha - mas é ele o grande tempero, embora merecesse destaque no ambiente de casa. Assim acontece com a gente: preparamos o melhor prato, com os mais diversos tipos de comida, mas com a pressa, fica sem sabor. A vida requer tempero diário. A vida exige a ação contínua de priorizar as pequenas coisas que até então, parecem insignificantes e, que estão em último plano, ou guardada em algum canto de nós. Talvez o que eu julgue tão desnecessário hoje, seja o sabor que tem faltado à minha vida. Omitir o gesto de temperar o cotidiano é a maior perda que o ser humano pode sofrer. A comida sem sabor... já se perdeu, lance fora, pare um pouco, coloque as panelas no fogo e se prepare para experimentar o maior dos sabores: o da vida devolvida. Para ser feliz é só repetir o gesto!

Rodrigo .

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O mundo maior é dentro .

Posted by Rodrigo . on 05:13
Hoje acordei com vontade de abraçar algumas pessoas que passaram pela minha vida e, que de certa forma, não estão mais ao meu lado. Acordei com vontade de abraçar o meu irmão, hoje, amigo da "Menina de lá", de Guimarães Rosa. Talvez eles estejam brincando, ouvindo histórias e vendo a vida passar aqui embaixo, assim como o vento passa entre os nossos dedos e sonhos. Da mesma forma que um dia ele e tantas outras pessoas passaram por mim. Adélia já me ensinou em seus Prados - o que se ama fica marcado para sempre na memória. Com audácia e respeito, completo: para sempre no coração.
Por isso, coração humano é solo frágil e, o maior mundo que existe dentro de nós - pois o de fora é apenas poeira para cumprirmos o ritual do cotidiano, mas o mundo que deve girar sempre é o que carregamos dentro do peito. É o primeiro a ser salvo. Me esforço para ser sol, terra, chuva e abraço no mundo do outro. Tarefa árdua de ressuscitar aquele que não está morto fisicamente, mas que já desistiu de viver há bastante tempo! É a maior proposta do Cristianismo. A mais bela da religião da Vida.
A vida passa. A imaturidade é varrida com vassoura de piaçaba que a D. Vida artesanou de forma tão simples...
Presenças que depositaram em mim partes que foram entregues no momento certo para serem encaixadas. Sou ser humano com todas as peças possíveis, algumas dispersas no calendário, nos fatos não revisitados e na saudade adormecida. Vou me refazendo quando volto no tempo, retirando dele o aprendizado necessário para ser suportável viver comigo mesmo. Vida passada que se ergue com amores na memória e razões revisitadas. Ninguém me faz querer ser humano, tanto quanto o desejo de ler o que o verbo não expressa e nem conjuga por ser limitado. Quero o indefinido da palavra, o desejo da semântica, mas a sacralidade do nunca chegar. Eu quero viver. E viver, não é chegar nunca. É ir, sempre.
Sou grato pelo azul do céu lá fora, que reflete na tela do meu notebook a graça de celebrar a saudade em prosa, e chorá-la em poesia. Sou grato por ter saudade daqueles que passaram em minha vida e ocupam hoje o meu mundo interior, o fazendo melhor, salvo. Se passaram é porque não morreram, continuam a viver dentro de mim. Nem sempre a presença acaba com a solidão. Existem pessoas que se ocuparam demais e amaram de menos. Essas pessoas morreram e, foram sepultadas no mundo interior de outras. Àqueles que tenho saudade, ressuscitam diariamente em mim. Por isso sou um homem melhor, celebrando a partida de quem nunca se ausentou.

Rodrigo .

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