Quinta-feira
Acordei querendo arrumar toda casa.
Já ouvi alguém dizer que quem deseja arrumar muita coisa por fora, é porque por dentro necessita de arrumação, concordo. É que nem sempre a gente consegue identificar a raiz da nossa dor. Tem dores que me visitam quando menos espero. Chegam de mansinho e se alojam em algum canto da minha vida. Anunciam sua presença quando despertam algumas dores em mim. A dor por um lado me trouxe uma realidade nova – a realidade sem cenários, uma vida sem fantasias e sem hipocrisia. Sei que não é gostoso deitar mais cedo para chorar, pior ainda é não ter sono e se sentir o cara mais solitário do mundo. O silêncio é o meu grito mais alto.
Li num blog de um amigo que “a vida acaba quando não se enxerga a todo instante”. Como morrer num instante desses, se enxergo a partir da dor tantas coisas? Nesses momentos penso naqueles que se suicidaram... Jovens, mulheres, homens que infelizmente não souberam sofrer a dor agarrada aos únicos rastros de luz. Eles gritavam em silêncio – ficaram em seus quartos várias vezes, comiam sem sentir o sabor da comida – não tinham se quer vontade de fazer algo, mas faziam. Era o “ciclo seco” que se instaurava na vida de cada um, como num dia disse Caio Fernando. O suicídio ia acontecendo cada vez que essas pessoas não conseguiam sofrer sem tirar um grão de mostarda do bem. Eu sei que é difícil e, quase impossível... Porém é preciso, para não morrer.
É preciso enxergar a todo instante... Existem virtudes que há em mim que somente no momento de dor é mostrado. Qual é a experiência que a dor tem lhe trazido? Quando ela voltar, você será capaz de identificar o que existe de valioso dentro de ti? Espero que sim. Não me uno como um ser humano passivo no sofrimento, mas como alguém que sofre buscando sempre lapidar diamantes que até então, não foram vistos.
Rodrigo.
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