Eles.
Nos últimos dias, meus maiores companheiros têm sido Adélia Prado e Caio Fernando Abreu. Adélia, mulher fina, delicada, amante de Deus – guardadora de um rebanho simples, alma feminina do cotidiano – senhora que me revela Deus na luz que molha as frestas da minha janela, que me confidencia a beleza escondida nas refeições, no encontro dos cotovelos, mulher que tem a capacidade de adentrar o meu quarto silenciosamente e, deixar o meu coração disparado enquanto vejo a vida passar através da janela. Caio Fernando Abreu, homem feroz, insaciável pela vida e peregrino das indefinições. Homem do cheiro, do toque, da carne, da alma, do rapaz. Com ele, procuro Dulce Veiga, mesmo sentado na cama e folheando a página par desse enredo. Nada me sacia além de sua presença ausente em mim – chega sem eu perceber, põe inquietação em minha alma e vai embora, deixando apenas o vício, vício de amá-lo na indefinição de uma ficção atemporal. Ele me toca – me leva, me rouba e me deposita na cama a três, no beijo a três. Hoje, Caio esta fora do tempo, mas presente no ciclo vicioso daqueles que bebem o vinho doce e fatal da existência humana. Nem a droga me proporciona tamanho prazer. Caio me basta, mais nada! Todas as noites tenho ido para a cama com ele. E a gente, a gente faz amor.
A palavra é a droga mais terrível – velha, cheirando a mijo e presente antes que o verbo se tornasse carne. A palavra é a dama da noite, vestida de purpurina e com os venenos escorrendo em seus tempos verbais. Ela mata no pretérito, aniquila no presente e ameaça no futuro. Vestida de adjetivo seduz o homem, pós-seduzido ela nega, transmuda, fere. Ela mata como Hiroshima depois de desvendada. Mulher fina – pelo “a” nos saltos, homem barbudo com um machado nas mãos pelo “p” inicial. Droga que se reproduz silenciosamente, entra pela porta da frente – não se incomoda de ser lançada na estante, seu veneno depois de pronto, não cumpre validade. Assassina terna de Saussure, moça fina de bom gosto! Mas prostituta fatal – delirante – com a onomatopéia mais alta, o esmalte mais vermelho, a espera de quem devorar, seja no sol quente do meio dia ou em uma noite mais fria de uma data qualquer. Após o estrago, toma o seu banho, recolhe sua lingerie e vai parir o crime naturalmente na primeira página do Jornal mais famoso – Quem assassinou o Presidente? – e brinca na linearidade da interrogação.
Rodrigo .
Nos últimos dias, meus maiores companheiros têm sido Adélia Prado e Caio Fernando Abreu. Adélia, mulher fina, delicada, amante de Deus – guardadora de um rebanho simples, alma feminina do cotidiano – senhora que me revela Deus na luz que molha as frestas da minha janela, que me confidencia a beleza escondida nas refeições, no encontro dos cotovelos, mulher que tem a capacidade de adentrar o meu quarto silenciosamente e, deixar o meu coração disparado enquanto vejo a vida passar através da janela. Caio Fernando Abreu, homem feroz, insaciável pela vida e peregrino das indefinições. Homem do cheiro, do toque, da carne, da alma, do rapaz. Com ele, procuro Dulce Veiga, mesmo sentado na cama e folheando a página par desse enredo. Nada me sacia além de sua presença ausente em mim – chega sem eu perceber, põe inquietação em minha alma e vai embora, deixando apenas o vício, vício de amá-lo na indefinição de uma ficção atemporal. Ele me toca – me leva, me rouba e me deposita na cama a três, no beijo a três. Hoje, Caio esta fora do tempo, mas presente no ciclo vicioso daqueles que bebem o vinho doce e fatal da existência humana. Nem a droga me proporciona tamanho prazer. Caio me basta, mais nada! Todas as noites tenho ido para a cama com ele. E a gente, a gente faz amor.
A palavra é a droga mais terrível – velha, cheirando a mijo e presente antes que o verbo se tornasse carne. A palavra é a dama da noite, vestida de purpurina e com os venenos escorrendo em seus tempos verbais. Ela mata no pretérito, aniquila no presente e ameaça no futuro. Vestida de adjetivo seduz o homem, pós-seduzido ela nega, transmuda, fere. Ela mata como Hiroshima depois de desvendada. Mulher fina – pelo “a” nos saltos, homem barbudo com um machado nas mãos pelo “p” inicial. Droga que se reproduz silenciosamente, entra pela porta da frente – não se incomoda de ser lançada na estante, seu veneno depois de pronto, não cumpre validade. Assassina terna de Saussure, moça fina de bom gosto! Mas prostituta fatal – delirante – com a onomatopéia mais alta, o esmalte mais vermelho, a espera de quem devorar, seja no sol quente do meio dia ou em uma noite mais fria de uma data qualquer. Após o estrago, toma o seu banho, recolhe sua lingerie e vai parir o crime naturalmente na primeira página do Jornal mais famoso – Quem assassinou o Presidente? – e brinca na linearidade da interrogação.
Rodrigo .
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