sábado, 6 de março de 2010

curso de poesia.



Nunca frequentei curso de poesia,
era moda cara e só para gente grande.
Eu andava era na garupa da bicicleta vermelha
do meu pai.
Enquanto ele me levava para a escola -
no meio do caminho
eu colecionava silêncio
entre o vento e os pardais.
E, mesmo meu pai
sem ter nunca lido um poema
pode me ensinar a escrever
nas idas e vindas
entre as
batidas das latas avermelhadas,
o livro mais bonito de poesia -
que só hoje descobri
estar guardado dentro de mim.

Rodrigo Rudi .

5 comentários:

Darlan disse...

Lindo. Adorei a parte do silêncio, uma imagem perfeita.

Laysla Fontes disse...

É de bicicletas vermelhas e pardais que se faz um poema.

Lindo, sempre. :)

Eloisa Mendonça disse...

Lindo, sensível, emocionante...

Rodrigo disse...

Obrigado, minha gente! É sempre bom tê-los por aqui.

Abraço!
Rodrigo

Daniel Rangel disse...

O mundo carece de bicicletas vermelhas... Há mtos que hoje padecem da falta de uma carona numa dessas garupas e, vivem a gritar em dor por uma única viagem dessas sequer...
Gritam em silêncio, observando as bicicletas alheias, sentados cabisbaixos sob a sombra de seu destino. Onde estão os pardais???

Parabéns por fazer poesia com tamanha consciência da vida! Abçs.