
Nunca frequentei curso de poesia,
era moda cara e só para gente grande.
Eu andava era na garupa da bicicleta vermelha
do meu pai.
Enquanto ele me levava para a escola -
no meio do caminho
eu colecionava silêncio
entre o vento e os pardais.
E, mesmo meu pai
sem ter nunca lido um poema
pode me ensinar a escrever
nas idas e vindas
entre as
batidas das latas avermelhadas,
o livro mais bonito de poesia -
que só hoje descobri
estar guardado dentro de mim.
Rodrigo Rudi .
5 comentários:
Lindo. Adorei a parte do silêncio, uma imagem perfeita.
É de bicicletas vermelhas e pardais que se faz um poema.
Lindo, sempre. :)
Lindo, sensível, emocionante...
Obrigado, minha gente! É sempre bom tê-los por aqui.
Abraço!
Rodrigo
O mundo carece de bicicletas vermelhas... Há mtos que hoje padecem da falta de uma carona numa dessas garupas e, vivem a gritar em dor por uma única viagem dessas sequer...
Gritam em silêncio, observando as bicicletas alheias, sentados cabisbaixos sob a sombra de seu destino. Onde estão os pardais???
Parabéns por fazer poesia com tamanha consciência da vida! Abçs.
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