
Compreender a vida como processo de transformação é necessário para quem pensa em não desistir. Felicidade não vem pronta, embalada com data de validade. É processo que se cumpre no cotidiano e que cresce de acordo com o tempo, água regada e folhas podadas.
Viver consiste em observar o que é necessário tirar e o que é necessário deixar fazer parte da nossa vida. Existem jardins que recebem uma pequena erva, que não se apodera em tamanho, mas que se arrasta para destruir. Pequenos acontecimentos e pequenas pessoas também são assim: chegam e em pouco tempo são capazes de retirar as cores que eram fortes em nós.
Existem outras presenças que inauguram um novo tempo e que ressuscitam os adjetivos, tecem os pronomes dando novas vestes e brindam com a primavera dando ênfase aos adjuntos adverbiais que socorrem o verbo quando o vê impossibilitado de expressar sozinho o que de tão intenso deveras expressar.
Adjuntos que chegam no momento oportuno e assim dão novo sentido ao verbo. É o mesmo que se dá quando alguém chega na vida da gente de forma tão intensa! Pessoas que poetizam sobre os nossos sonhos e somam essência em nós. Presenças que no silêncio intensificam o que existe de mais sagrado dentro do coração humano: o desejo de amar.
Foi assim que um dia eu descobri o amor entre os dois... Um completava o que era ausência no outro. Ad + juntos. E o processo da beleza da vida acontecia ali, no encontro entre os dois.
Sempre achei que não deveria receber o peso da definição como "regra". Cumplicidade não é regra - é questão de sobrevivência do amor.
Cumpro a minha vida cancelando as saídas daqueles que de alguma forma acrescentam em mim. Compro passaporte quando desejo chegar na vida de alguém pela vôo da amizade.
Quero aprender com os adjuntos que chegam, não tomam o lugar e nem a liberdade do verbo, mas que sinaliza presença e diz quando o outro não consegue dizer. Presença constante e necessária quando se deseja expressar a própria VIDA.
Se um dia eu conseguir ser adjunto na vida de alguém,
peço a Deus para que o ponto final não atue mais sobre o amor. E que o mesmo seja introduzido na vida daqueles que se sentem só - só assim nascerão novas manhãs regadas dos mais lindos tempos verbais. Enquanto para muitos a gramática é questão de morte - é ela que me ensina ser mais homem no constante processo de aprender amar.
Rodrigo .
6 comentários:
A vida é adjunto, é substantivo, é verbo. A vida é feita de parágrafos novos, de capítulos novos, de vírgulas, de travessões, de interjeições(Ah! As interjeições!!!), e também de epifanias, de catarses. A vida pode ser um romance, a vida pode ser uma crônica, um conto... a vida é poesia. Adorei o uso que você faz da sintaxe pra expressar isso que pulsa latente pelas suas veias: a vida. Virei leitor do blog.
bRu.
felicidade é algo que se reinventa a cada dia, não dura. é inerente ao ser humano querer mais, querer aquilo que não tem... adorei o texto, em especial a mistura da gramática na vida da gente...
Amigooooooooo ameii...perfeitooo.
A cada dia que se passa sou sua fã de carteirinha. :)
Amei essa parte:
"Cumpro a minha vida cancelando as saídas daqueles que de alguma forma acrescentam em mim. Compro passaporte quando desejo chegar na vida de alguém pela vôo da amizade.
Quero aprender com os adjuntos que chegam, não tomam o lugar e nem a liberdade do verbo, mas que sinaliza presença e diz quando o outro não consegue dizer. Presença constante e necessária quando se deseja expressar a própria VIDA."
Concordo com gênero e grau...
Adorei!
beijoss...Jesus te abençõe!
=)
A vida foi bem representada? Vivida? Então não importa se ela foi longa ou não.
Faça da tua vida um livro. Escreva um capítulo a cada dia. Crie seus personagens. Viva com eles.
http://www.pulchro.blogspot.com/
LIN-DO. Como o autor.
Ponto final.
Mas mesmo um amor sendo um adjunto, temos que saber que há adjuntos que vem em um sintagma nominal e pertencem ao nome e outros adverbiais que, embora imaginemos serem pertencentes ao verbo, muitas vezes, são mesmmo e das orações (por isso projetados em VP.. rs)
Este último caso é uma imensa ilusão, fingem que se associam, mas se deslocam com rapidez. Chegam e saem em um momento e deixam um gostinho de quando, onde e como...
Ah... adjuntos adverbiais, por que não vêm para o domínio de V', por que teimam em ficar tão altos nessa árvore gerativa. Sai desse VP, criatura, desce aqui.... rs
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