
O tempo vai passando e a gente não dá conta do estado em que a alma fica. Vamos colecionando dores, amores não correspondidos, rancores desncessários no coração e a vida vai perdendo as cores diante de nós. É o ápice da tristeza profunda em nós. Olhamos para dentro de nós mesmos e não enxergamos as luzes da varanda de nossa alma... só há bagunça - poeira que ensaia cotidianamente o amargo em nós. Só há resquícios de luz - pequenos feixes que não são nossos, mas que ensaia a solidão na pauta ferida nas páginas da própria história.
Pessoas são como cacos de vidro: brilham ou ferem.
O que sei é que elas passam, mas o brilho permanecerá se existir amor ou as feridas sangrarão se não houver encontro. Por isso eu tenho medo de atuar na vida do outro sem deixar rastros de alegria. Sem ser clean, transparente. Cada pessoa é um porto em suas diferenças - por lá passo, invoco a alegria, celebro a plenitude do processo de convívio, mas quando essa pessoa de alguma forma não me servir mais, eu a lancarei para fora da minha vida. Depois de um certo tempo, percebo a minha alma frustrada e deposito naqueles que estão ao meu redor a responsabilidade de preencherem os buracos que um dia fora feito ao excluir parte de mim no outro.
Relacionamento é doação. Mesmo que eu não perceba eu me dou para o outro em pequenos fragmentos. Doações que não são devolvidas, mas respondidas. A gente se esquece que em cada palavra, gesto um pouco de nós se esvai...
Depois de uma vida inteira a gente olha pra dentro de si e percebe que a vida não teve adjetivo algum que revelasse tamanha beleza que ela é em seu princípio. A omissão pode até oferecer algumas regalias, mas deixa marcas para sempre. E para que a vida não termine sem que as pessoas descubram em você um ser ama, será preciso arregaçar as mangas e ter a coragem de lavar o quarto que você alugou dentro de si para o egoísmo morar. Isso requer humildade e é por isso que a vida só tem valor quando existe o perdão. Porque ele é o único portal que revela a falha de sermos humanos e nos aponta a opção de recomeçarmos.
A gente vive colecionando verdades que nos afastam do outro. Mas a gente esquece de desaprender para compreender o mistério da vida. Como diria Manoel de Barros: "Quando a gente aprende muito, a vida perde a poesia."
É a vida que ensina, puxando o cordão da saudade e revelando o armário desarrumado que existe dentro de nós.
Rodrigo .
Um comentário:
1ª vez que visito seu blog e logo de cara A D O R E I!!!!
Parabéns!
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