
O amor é um susto. Chega na calada da noite, no imprevisto das horas, no encanto da ausência e na saudade que evoca a presença. O amor é um susto, chega no sorriso belo de um rosto entre a multidão. Sorriso que chega sem vir, se insinua sem tocar. Presença que insinua mais que propõe... O amor tem que ser admirado pela distância porque ele não suporta a jaula que colocamos nele. Ele fora feito para a liberdade - como um pássaro; seu canto só é bonito quando ele está livre.
Amor é chuva de madrugada quando ao tocar o teclado no computador, a gente cria a possibilidade de tocar as pontas dos dedos do outro. Admiração não tem nome, amor sim. É silêncio que grita no compasso de uma dança sensual. É presença que invade a temporalidade e arranca o véu de qualquer forma de representação. Amor este que se esconde nas curvas de um sorriso e fica esperando um alma com o cansaço nos olhos, mas com a esperança no peito só para lhe roubar um beijo quando passar.
Amor é acolhida nas horas de abandono. É fala que cobre com uma camada fina de brisa o coração da gente.
O amor não precisa de janelas abertas, nem de portas destrancadas. O amor nasce da precariedade. O amor se instala numa fresta e ali desenvolve o necessário para ser visto, mesmo que ainda seja um grão a amanhecer.
O sorriso do Tadeu é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale livros inteiros. E hoje busco a frase de cada momento sempre que retorno ao seu sorriso que me desconserta em tanto amor.
Homem que não perde a poesia quando a chuva cai, mas a faz poema!
Tadeu é o poema que me espera na esquina - poema adormecido que ressuscita aos poucos quando sente as primeiras vibrações dos meus passos. Eu vivo assim, dependendo de poemas que sobrevivem à chuva, à dor e ao sol. Se eles estão ali, ancorados em algum canto a espera da minha adoção lírica, é porque resistiram e são fortes diante do vento que arranca poemas fáceis não enraizados na essência.
O que quero é o olhar de Deus refletido nos olhos do Tadeu. Isso sim é felicidade sem medida.
Depois que conversamos me senti feliz, inteiro na pequena parte que me cabe.
Menino que rouba a terceira margem de Guimarães, me convidado pra ceiar na quarta...
Homem que me encabula com sua simplicidade, assim como Adélia em seus Prados. Moço que me pega pelas mãos e reinaugura em mim um novo pensamento atrás do que fica o pensamento, à lembrança de Lispector.
Menino cheio de uma força misteriosa repetindo as minhas poesias no lábios e me tecendo uma contínua maneira de continuar...
Pessoa que desejo amar com profundidade. O que hoje cabê em minhas mãos é apenas um bilhete de ônibus a ser cumprido.
Tadeu, vida esmiuçada entre as entrelinhas das palavras. Olhar distante que me olha querendo chegar, coração que deseja despejar o cansaço para que eu os devolva re vestido de uma luz que só quem verdadeiramente ama possuí.
Preciso retirar as sandálias para pisar neste solo onde ele se faz presente. É solo sagrado, e qualquer poeira me dispersaria de sua beleza reveladora.
Venha de onde vier, mas venha. Há sempre um quarto preparado para quem não tem onde dormir. Há sempre uma mesa posta, ainda que na madruga.
Meu coração não tem muros, não tem portas, mas tem abrigo.
Que o poema que é você, seja capaz de revelar a cada instante a poesia que é tê-lo perto de mim.
Rodrigo .
4 comentários:
'... no encanto da ausência e na saudade que evoca a presença. (...) É fala que cobre com uma camada fina de brisa o coração da gente ...'
Pra mim, o que define melhor o amor só pode ser lirismo. Algo que não seja poético também pode defini-lo, mas não com essa mesma doçura, semelhante a que encontro nas suas escritas. Ainda bem que existem pessoas que sabem traduzir tão bem o que está 'dentro'. E sorte a minha de ter um desses alguéns por perto. Resta agradecer, porque cada vez que venho e te leio, o coração pulsa mais forte! Na maioria, leio e penso: 'É isso que eu queria dizer!'. Deve ser do sangue. Será?
Fique tranqüilo, primo. Porque o comentário que você espera não demora a chegar!
Preciso vir aqui mais vezes regar a alma... Sempre saio revigorada!
:)
Bjos!
eita... que declaração linda!!!!
Invejas agora!!!
Tbm quero alguém que escreva com amor pra mim!!!!
Rodrigo,
Concordo inteiramente com Lispector quando ela diz:
"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."
Só vale a pena viver por amor.
E demonstrar o amor é algo tão sublime... tão gostoso que dispensa comentários!
Beijo Karinhoso,
Ká
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