
Era um dia bonito, as cores do céu revelando a poesia existente na pauta do cotidiano... flores dançando ao som do vento que embalava todo aquele dia em puro extase de amor. A vida esmiuçada, pronta para ser comida, devorada por corações sonhadores que por ali passassem. Foi num lugar atemporal que conheci a Ká... envolta de sonhos e profunda em emoções. Sua ternura confundiu a minha morfologia e me fez compreender melhor a minha sintaxe padronizada. Presença que somou adjetivos à nova estação em mim - era o meu coração depois de uma estação fria, recebendo os primeiros raios de calor dessa mulher.
Vivemos atemporalmente nos portos das canções e da poesia. Espaço não conceitual de confissões e lapidações: era o amor dela explodindo na missão de ser protagonista do amor - e felizmente eu era pauta para essa atuação.
Depois de um tempo, a separação por motivos da contemporaneidade, mas nada que nos fizessem morrer do coração um do outro. Depois o reencontro - o sol ainda era quente e muito intenso. Mas era um tempo de provas em sua vida ... a Ká cumprira o tempo todo o ritual de recolher os caídos e devolver a identidade daqueles que estavam perdido. Um ser humano marcado pela essência. Entrava em lugares proibidos, quebrava as tradições morais e depositava ali, as asas incansáveis de anjo. Trocou verdades porque sinceridades e sofrimentos. A Ká na pauta da minha vida, foi e sempre será irreverente. Ela olhava nos olhos dos fracassados e lhes restituía a coragem perdida. Segurava nas mãos daqueles que estivessem cansados e os convencia que ainda lhes restavam forças para chegar. Em um dia me encantei com ela. Um dia chegou, me desconsertou com seu jeito de mãe e amiga, esposa e mulher e entrou pela porta principal da minha vida e eu nunca mais a deixei sair. Somos íntimos na curva da sabedoria, e cumplices na esquina do saber. Eu a amo por dar nova cor à minha vida, mesmo em dias nublados...
Ela me ensinou que a vida é linda, mas dói. Foi assim que assisti num pequeno espaço de tempo o seu papel de Maria na subida do calvário... Foi se as canções e a poesia da dor precisava se cumprir. Pedras que pesavam e machucavam os pés - o mundo parou. E ali, eu acompanhava a subida de uma mulher forte com o homem que mais amava nos braços. Mãos sangrando, corpo cansado e dilacerado pelo despojamento, mas com o olhar ressuscitado pela fé em Deus. Enquanto seu corpo morria junto a sua poesia que agonizava nos braços, a vida dançava e confundia a minha gramática: era momento de aprender. Mulher das dores sem nome - mãe que soube recriar o mundo apartir do próprio seio. Mulher de pietá, que segura nos braços a canção que fizera um dia feliz e hoje adormecia de forma velada em seu peito. A crueza do momento é uma proposta ao silêncio. Arranca-me do mundo das palavras, das respostas prontas e faz-me sentar ao chão, ao lado da esposa e mulher, para que eu possa ouvir sua respiraçao ofegante de dor.
Presença que um dia arrancou-me dos meus livros, da minha licenciatura dogmática e convidou-me a sujar-me na terra do calvário, onde o sangue do marido misturava-se às lágrimas da própria mulher que ali entregara a vida por ele.
Ká e seus versos. Ká e suas dores. Ká e sua lição de vida.
O meu sofrimento perde a sua força quando eu o coloco ao lado dessa menina tecida pelo tecido da dor. E nisso já está a ressureição daquele que um dia se fora - ele ressuscita nesses versos e atualiza a sua presença na sabedoria que colho.
Mulher que me ensinou que diante de estações tão doídas, a gente pode descobrir caminhos para uma nova estação. Elas existem e são preparadas nas madrugadas do Coração de Deus.
Canções de felicidade foram ninadas no dia em que nos conhecemos...
Canções de ninar dolorosas foi cantanda silenciosamente pelos lábios da Ká quando embalou o seu amor nos braços...
E hoje eu canto um canção de ação de graças com os anjos, agradecendo a Deus pela poesia que brota quando a gente se olha pelas páginas de um enredo que é mais forte que a morte - sua própria vida.
Eu amo você, Ká.
5 comentários:
Rodrigo,
Desconcerto que conserta. É isso! Foi o que nos uniu. É o que nos mantém unidos. Assim será sempre!
Emocionada demais para tentar reproduzir em palavras a emoção de ver minha vida cantada em verso e prosa.
Sim... nossas vidas se misturaram em vários momentos, até mesmo na dor compartilhada de perder alguém especial...
Sim... nossas vidas dão enredo, samba, saber e poesia...
Você tem um dom maravilhoso. Conserve-o.
Amo você, meu querido! AMO!!!
Obrigada por existir!
DEUS o guarde sempre na palma da Mão!!!
Beijo MUITO Karinhoso,
Ká
Tb amo a Ká, esta menina guerreira escolhida pela vida para andar sobre pedras e nos mostrar que dor a gente transforma em degraus que estimulam o crescer.
Gostei imenso do seu texto. Não apenas por ser uma homenagem à nossa amiguinha, mas por ter estilo e beleza poética.
Grande beijo! (vou ler mais, se me permite! rs...)
Aonde eu consigo achar um livro teu?
Sou teu fã cara.
Parabéns para vocês dois.
=D
http://pulchro.blogspot.com/
E ai kra blz? Encontrei seu blog por aí e curti pra caramba!
Espero poder estar acompanhando sempre esse espaço. Aproveito pra deixar o meu prá qdo puder dar uma passada por lá!
Abç.
belo texto
parabens
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