
Hoje é sexta-feira. Trabalhei a semana toda e nem notícias suas eu tive... Acordei cedo todos os dias, arrumei algumas coisas, retirei o pó de alguns livros, varri a casa, lavei os vidros da janela, mas não consegui limpar o excesso da ausência que você deixou em mim desde o dia em que se foi...
Acordo todos os dias como se você estivesse aqui tão perto de mim. Preparo o café, sento na cama e espero alguns minutos só pra imaginar que não posso entrar no banheiro porque você o ocupa pra fazer barba, tomar o banho. Os minutos estão maiores - quase não levanto para bater à porta e meu peito sangra quando escontro a pia seca, o barbeador no mesmo lugar que você deixou quando fez da última vez a barba... Se eu demoro a levantar-me é porque descobri uma forma de você continuar existindo em mim. Quando me deparo diante da luz acesa e do espaço inabitado por você, minha alma afunda na imensidão da luz e grita silenciosamente sua presença.
O café cumpre e toda a casa cumpre o mesmo ritual todas as manhãs: o velamento da morte em mim depois que você partiu ...
Você não morreu, quem morreu um dia foi eu quando você deixou de voltar e de me abraçar. Você ancorou nas ramagens mais infinitas da vida, lá onde a falta não existe e nem o desassossego incomoda, mas o lugar onde somente a espera se realiza.
Enquanto caminho em sua direção, vou te reiventando em mim para eu sobreviver.
Os teus presentes estão todos comprados. O teu cheiro no travesseiro me consola todas as noites em que me deito e com lágrimas me desafaço... Vem o teu cheiro, recolhe a minha pequenez e aos poucos ao ninar me faz adormecer na finita dor de cada dia.
Antes de você partir, você deixou um pouco de si em tudo o que tocou. Por isso que identifico sua presença vezenquando nas coisas que somente o amor pode encontrar. Aí me desfaço em saudades e me torno uma fonte a jorrar amor doído. Amor falta - solidão acompanhada.
Eu não sofro para que a tristeza faça morada em mim, não. Eu choro para que o amor seja lavado e renovado nessa terna forma de se perpetuar em mim e de celebrar em você, a luz resplandecente do amor... amor este que um dia nos uniu nas diferenças e nos dignificou na essência. Fazes-me falta.
Vezequando abro a gaveta e cheiro a tua roupa bem dobrada. Vezenquando eu choro e no choro eu abraço a minha alma em flechas por possuir um amor atemporal. Amor capaz de vencer a morte, ultrapassar a ausência e ancorar em você, onde quer que esteja.
Eu aprendi com você que tudo aquilo que o amor toca, não morre.
Por isso eu ressuscito cada vez que recordo que um dia você também me amou.
E subitamente prolongo os meus minutos na cama ao amanhecer, o esperando sair do banheiro, porque descobri nesta noite de sexta-feira, sozinho em casa, que eu te livrei da morte desde o primeiro dia que eu comecei a te amar.
Dorme com os anjos... Dê beijos neles por mim!
Amanhã, amanhã, amanhã sentarei mais tempo na cama só pra te esperar.
3 comentários:
À espera é dos sentimentos mais estranhos que se depara perante nós quando vamos de encontro a esta situação. O insensível chora, o mais forte fraqueja, o mais corajoso acovarda-se, o poeta deixa de amar e sua chama viva esmorece e extingue-se nos campos da solidão.
Meu caro Rodrigo, quando estamos à espera que algo aconteça, é o momento em que não temos o nosso destino na mão. A vida resume-se a um caminho pelo bosque, onde, de tempos a tempos encontramos bifurcações, nas quais temos de decidir o nosso destino. Até nosso corpo reage, das mais variadas formas que nós já experiênciou.
Nua e crua é a verdade. Não posso fazer nada, você também não pode fazer nada... a não ser esperar.
P.S.:Obrigado pelo elogio. Como eu não tenho muito tempo para ficar aqui na frente do computador, eu fiz o seguinte... imprimi todo teu blog e estou lendo a cada intervalo que tenho. Cada postagem tua que leio é uma enorme alegria pra mim. Pois, nos tempos de hoje ainda é sobre-humano amar.
P.S.:Obrigado pelo elogio. Como eu não tenho muito tempo para ficar aqui na frente do computador, eu fiz o seguinte... imprimi todo teu blog e estou lendo a cada intervalo que tenho. Cada postagem tua que leio é uma enorme alegria pra mim. Pois, nos tempos de hoje ainda é sobre-humano amar.
P.S.:Obrigado pelo elogio. Como eu não tenho muito tempo para ficar aqui na frente do computador, eu fiz o seguinte... imprimi todo teu blog e estou lendo a cada intervalo que tenho. Cada postagem tua que leio é uma enorme alegria pra mim. Pois, nos tempos de hoje ainda é sobre-humano amar.
http://www.pulchro.blogspot.com/
Lindo lindo o texto, Rudi!
Demorei, mas li... rs
Deixei presente procê lá no meu blog, depois dá uma olhada
^^
Rodrigo querido,
Consegui deixar a cegueira temporária e me enxergar no seu post... na fome da presença me reencontrei sentindo vontade de ter o que já tive.
Enfim, amo te ler!
Beijo muito Karinhoso,
Ká
P.S.: Tem que me ensinar a linkar e arrumar o meu desarrumado, viu? risos...
Ah, tem post novo!
E li o Para Francisco e me fascinei!
Agora vou. Mesmo!
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