domingo, 30 de novembro de 2008

Ausência preenchida .


"Esta falta que me causas é como dor que não se localiza. Falta não sei onde e não sei o quanto. Espaço não configurado, não conceitual, imensurável. O que sei de mim, plea força da saudade, por vezes, me esqueço. É como labirinto não sinalizado por onde recolhos pedaços, fragmentos de mim. Levaste a senha da minha inteireza e desde esse momento me assombro de tanta ausência.
Consolo-me na observância silenciosa dos teus segredos que em poucas frases legaste. Há nelas uma fragilidade se esvaindo pela cavidade do tempo. É impossível negar. É teu ressuscitar sereno, ampliando a tua ausência em mim. Roubas o que sou e me tornas a sepultura de onde sais. Sou o espaço da tua inabitação. Sou a saudade que te evoca e te concede uma criativa forma de continuar. Pois a saudade é uma forma de ficar."

Fábio de Melo

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