
A manhã está pronta para iluminar as mãos do pequeno garimpeiro - mãos quentes que despertam com os primeiros raios de sol. Ainda é madruga e existe uma estrela a ensaiar sua dança de despedida na imensidão da infinitude azul. A estrela dorme para o garimpeiro sonhar. Enquanto o corpo com seu jingado de trabalho árduo, sob o sol quente do dia, cumpre o ritual de garantir a sobrevivência, a alma desprende-se do pequeno cárcere marcado pelas rugas do tempo, e no vôo da imaginação, lança fora toda incapacidade de permanecer para sempre, ali. O suor do homem se mistura ao doce do rio, pequenos instantes que os fazem UM na missão de tirar da areia bruta da vida, os pequenos diamantes com esplendor de vida. Enquanto o garimpeiro lança fora todo matéria bruta da vida, aos poucos vai esfolando sua própria história, se enraizando à beira do mesmo rio, e ali, deixando o brilho do maior tesouro reluzir em seus olhos cansados, mas ancorados de pura e terna essência. Porque a vida é assim, lugar de garimpar o que é essencial - retirando todo excesso de superficialidade que existe no excesso dos brilhos, estes que não permitem ao homem enxergar o que a força da vida exerce. Já é tarde, o sol dá lugar às sombras da noite - serão elas que darão paz ao ofício de viver. O seu cotidiano é a matéria-prima do seu poema. Não me entusiasmo. Apenas o observo em seu sabor de silêncio - já é noite, e o que ele possui é apenas uma vela acesa no canto da casa, em louvor a Iemanjá.
Um comentário:
A tua escrita fala ao coração, e a tua poesia nos fala a alma...
Beijos e sempre escreva assim para melhor...
Postar um comentário