
Ao meu amigo, Leganza.
A vida está sob o olhar e o toque daqueles que perdem a pressa no passo. O contrário disso é o acúmulo de tantos afazeres. Existem pessoas que não dormem bem, acumulam atividades ao longo do dia, vive para servir ao trabalho, aos compromissos do cotidiano e ainda reclamam que o tempo é curto para realizarem as mais diversas tarefas. O dia não passa de mais uma oportunidade para arrecadar renda para o fim do mês; o almoço é curto, preciso visitar um cliente; a mesa não é de pão e partilha, é de pressa e tormentos. Não existe sabor pela vida, existe a perda de um tempo que não poderá ser resgatado. O trabalho pode esperar, amanhã ou depois ele virá do mesmo jeito, trazendo as mesmas preocupações - o que não será o mesmo, é o olhar do filho que depositará no coração a marca de um pai ausente, embora presente em casa todos os dias ao fim do dia.
Viver requer colheita de cada dia. O trabalho dignifica o homem a partir do instante em que ele é colocado no devido lugar. O olhar necessário, o diálogo caloroso no café, o agradecimento pelo existir, a presença necessária que modificará a vida do outro para melhor, a disponibilidade para saborear a vida, o gosto do café às 16h, o bom livro comentado, a poesia no bolso e a notícia do jornal periodicamente patilhada são indícios que existe vida sendo tecida na grande teia do hoje.
Há quem ensine tantas coisas, como conquistar o mundo, o melhor emprego, ou receitar o melhor antidepressivo, mas são poucos os que indicam os pequenos gestos que trarão cura para um coração solitário numa multidão. A ansiedade não combina com a leveza da vida.
As tardes deviam nadar nos corações, mas como declama o grande poeta Ésio Macedo Ribeiro: "As tardes nadam nas ruas."
As pipas deviam voltar às mãos dos grandes, porque cresceram demais e perderam o sentido maior da vida que é vivê-la em seus detalhes. São eles que produzem a grande diferença em nossa estrada. O sal que dá sabor à comida é um grande exemplo. Está diante de nós todos os dias, mas não percebemos o processo que ele cumpre diante da comida. O sal é pequeno, leve, não causa alarde e fica no canto mais escondido da cozinha - mas é ele o grande tempero, embora merecesse destaque no ambiente de casa. Assim acontece com a gente: preparamos o melhor prato, com os mais diversos tipos de comida, mas com a pressa, fica sem sabor. A vida requer tempero diário. A vida exige a ação contínua de priorizar as pequenas coisas que até então, parecem insignificantes e, que estão em último plano, ou guardada em algum canto de nós. Talvez o que eu julgue tão desnecessário hoje, seja o sabor que tem faltado à minha vida. Omitir o gesto de temperar o cotidiano é a maior perda que o ser humano pode sofrer. A comida sem sabor... já se perdeu, lance fora, pare um pouco, coloque as panelas no fogo e se prepare para experimentar o maior dos sabores: o da vida devolvida. Para ser feliz é só repetir o gesto!
Rodrigo .
Um comentário:
Oi migo!
Tudo bem?
Saudades dos seus escritos calorosos e de suas harmônicas palavras!
Saudades de conversar com vc!
abção!!!!!!!!!!!!
Marcos
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