Hoje acordei com vontade de abraçar algumas pessoas que passaram pela minha vida e, que de certa forma, não estão mais ao meu lado. Acordei com vontade de abraçar o meu irmão, hoje, amigo da "Menina de lá", de Guimarães Rosa. Talvez eles estejam brincando, ouvindo histórias e vendo a vida passar aqui embaixo, assim como o vento passa entre os nossos dedos e sonhos. Da mesma forma que um dia ele e tantas outras pessoas passaram por mim. Adélia já me ensinou em seus Prados - o que se ama fica marcado para sempre na memória. Com audácia e respeito, completo: para sempre no coração. Por isso, coração humano é solo frágil e, o maior mundo que existe dentro de nós - pois o de fora é apenas poeira para cumprirmos o ritual do cotidiano, mas o mundo que deve girar sempre é o que carregamos dentro do peito. É o primeiro a ser salvo. Me esforço para ser sol, terra, chuva e abraço no mundo do outro. Tarefa árdua de ressuscitar aquele que não está morto fisicamente, mas que já desistiu de viver há bastante tempo! É a maior proposta do Cristianismo. A mais bela da religião da Vida.
A vida passa. A imaturidade é varrida com vassoura de piaçaba que a D. Vida artesanou de forma tão simples...
Presenças que depositaram em mim partes que foram entregues no momento certo para serem encaixadas. Sou ser humano com todas as peças possíveis, algumas dispersas no calendário, nos fatos não revisitados e na saudade adormecida. Vou me refazendo quando volto no tempo, retirando dele o aprendizado necessário para ser suportável viver comigo mesmo. Vida passada que se ergue com amores na memória e razões revisitadas. Ninguém me faz querer ser humano, tanto quanto o desejo de ler o que o verbo não expressa e nem conjuga por ser limitado. Quero o indefinido da palavra, o desejo da semântica, mas a sacralidade do nunca chegar. Eu quero viver. E viver, não é chegar nunca. É ir, sempre.
Sou grato pelo azul do céu lá fora, que reflete na tela do meu notebook a graça de celebrar a saudade em prosa, e chorá-la em poesia. Sou grato por ter saudade daqueles que passaram em minha vida e ocupam hoje o meu mundo interior, o fazendo melhor, salvo. Se passaram é porque não morreram, continuam a viver dentro de mim. Nem sempre a presença acaba com a solidão. Existem pessoas que se ocuparam demais e amaram de menos. Essas pessoas morreram e, foram sepultadas no mundo interior de outras. Àqueles que tenho saudade, ressuscitam diariamente em mim. Por isso sou um homem melhor, celebrando a partida de quem nunca se ausentou.
Rodrigo .
2 comentários:
rodrigo,
sobre a plaquete "that´s amore" - pode escrever para virnagotnei@yahoo.com.br que passarei os detalhes por email.
um abraço,
virna teixeira
correção: virnagontei@yahoo.com.br
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