sábado, 16 de fevereiro de 2008

A espera .


( Ao som de Andrea Bocelli - Melodramma. )
Recordo-me das inúmeras vezes em que eu te esperava chegar... Ficava parado na esquina, atrás de um muro bem alto e largo só para você não me ver. Vezenquando minhas mãos ficavam raladas de tanto enconstar sobre ele só para tentar te enxergar melhor. O muro era cinza, mas os meus sonhos não.
Eu tinha medo de te sufocar, trazendo nuvens pesadas em sua estação. Você sorria quando saía no portão de casa e acenava para alguém - eu tudo via. Você entrava no carro e logo seguia seu destino. Eu não, eu era um homem parado à sua espera. Por mais que você não conhecesse os meus sonhos, eu conhecia os teus. Eu vivia porque te esperava - não havia outro motivo para explicar os meus pêlos crescendo e o meu olhar pesando sob a tarefa árdua de me tornar maduro, humano.
Eu sempre passava em frente do portão de sua casa ou ficava olhando da minha janela a sua casa, só para me recordar que você existia e era tão real em mim - sem que ninguém percebesse, eu deixava flores... Engraçado que no primeiro dia você comentou com a vizinhança achando que era um ritual de "macumba" ou a distração de alguma mulher que havia sido tão amada e que esquecera o pequeno atalho do amor no chão... O que ela havia recebido já estava consignado em seu coração, não precisava das flores. Então, você recolhia as flores "esquecidas" e depositava no jardim de sua casa um pedaço de mim. Cada flor que embalava nos braços, você embalava um pouco de mim.
No outro dia as flores não estavam mais lá, e eu era bem menos em mim porque eu estava em processo de me eternizar em você. As flores murchavam, mas o meu meu amor não.
Vezenquando quando a saudade apertava, eu chorava. Pegava o telefone e discava com as mãos trêmulas à espera de sua voz do outro lado. Não havia força para a voz, só a dor no processo de recolher saudade e regá-la em lágrimas. "Dor-semente" que só brota no processo de espera.
Os meses passavam. Os anos também. Desejos e saudades eram lançados um por cima do outro num quarto escuro que o meu coração possuía. Só eu tinha chave, só eu velava. Era lá que eu deitava no chão com os braços abertos quando a dor me consumia e as forças que me mantinham em pé desapareciam. Lágrimas-anjo que me banhavam no leito e sofriam comigo em plena solidão acompanhada.
A pessoa que eu mais amei nunca foi minha, mas nunca deixou de estar comigo.

Rodrigo .

7 comentários:

Cass disse...

e qtas pessoas não amam assim??

amores de longe..

Anônimo disse...

NOSSA Q AMOR, HEIN? LINDO, MAS SO NAO ENTENDO O PORQUE DE VCS NUNCA TEREM ESTADO JUNTOS...
ALIAS SEU BLOG E RECENTE E NAO ENCONTRO DETALHES A RESPEITO DESSA HISTORIA MAL RESOLVIDA...
COMO CONHECEU ESSA PESSOA?
O QUE LHE IMPEDIA/IMPEDE DE CORRER ATRAS DE AMOR PLATONICO???
NAO MORA MAIS NA VIZINHANCA?
PQ NAO FAZ ALGO PARA MUDAR ESSA SITUACAO, JA Q NAO CONSEGUE ESQUECER NEM PARAR DE SENTIR FALTA DESSA PESSOA?
ESSAS HISTORIAS ME DEIXAM TRISTE E MUITO SOLIDARIO, SABIA?

FIQUE BEM!

ABRACAO!

Rodrigo disse...

Porque existem amores que não foram criados para serem concretizados, mas sentidos. E qualquer tentativa de concretizá-lo será uma forma de parir o que não fora feito para habitar um espaço conceitual.

Obrigado Londoner...

Rodrigo.

Marcos no espaço. disse...

Curioso são os fatos, que acompanham todos as tramas de nossa vida. Por que quebramos tanto a cara?
eu sei ..

Anônimo disse...

Esplêndido o texto!
Que os homens não esqueçam jamais da sua maior virtude: o amor.

Anônimo disse...

CHEGUEI A VER O POST QUE FEZ EM HOMENAGEM A SEU IRMAO, MAS NAO TIVE TEMPO DE COMENTA-LO.
QUANDO VOLTEI AQUI, JA ESTAVA APAGADO NOVAMENTE...

ACHO Q ENTENDI O Q ACONTECEU...

QUERIA PODER TC CONTIGO PELO MSN E SABER MAIS DE SUA VIDA... ABRACEI A SUA CAUSA DE UMA FORMA SOLIDARIA HA MUITO TEMPO!

UM ENORME ABRACO A VC E FIQUE BEM!

(msn: italian_london@hotmail.com)

Alberto Pereira Jr. disse...

"eu deitava no chão com os braços abertos quando a dor me consumia e as forças que me mantinham em pé desapareciam"

tão belo, sofrido e singelo o texto, mas profundo e dolorido como é o amor em alguma fase de nossas vidas