Sempre gostei de escrever, embora fosse preguiçoso. Quando o Blog nasceu e estourou na internet, entrei na onda e comecei a partilhar muitos momentos que eu estava vivendo. Com ele fiz grandes amigos e, outros que apenas passaram. Não traio em dizer que os amigos que ficaram, valeram a pena! Eu era menor, adolescente quase jovem descobrindo a vida, os sentidos por meio de uma janela virtual. E ele era muito importante para mim. Por mais que eu tentasse escrever bem, coordenar a norma culta, eu era bem oculto.
Já chorei muito, esmagando o meu silêncio trancado no meu quarto. Escrevia desabafos, saudades, encontros, marcas e os desafios próprio de quem tocavam sem saber, o mundo dos sentidos que Sócrates camuflava. Escrevi por um bom tempo! E ele ainda existe, no cemitério dos Blog´s. Tentei reativa-lo algumas vezes e nada. Custei para entender que tem certas coisas na vida que cansam. E tentar reaviva-lo seria uma forma de me esconder novamente em suas linhas e pautas. Não! Não era esse o caminho. Vezenquando passo por ele, olho, relembro e deixo uma flor. Também existem coisas na vida que vão embora sem a pretensão de voltar. E ele o foi.
Havia terminado o colegial, estava trabalhando e vivendo uma vida de grande consumo. Cansei de consumir! É sério, havia cansado. Não demorou muito para surgir o mundo do Fotolog, além de escrever, postaria uma foto qualquer. Foi a revolução! Escrever e ao mesmo tempo anexar aquela foto preferida. Foi uma pena, porque grande parte dos “escritores” anônimos como eu, abandonaram o blog para se dedicar ao mundo novo do Fotolog. Confesso que é bem legal, mas para uma escrita bem curta e que, provavelmente poucos lerão. O visual é mais atrativo que a escrita, ou não. Penso que era.
Entrei para a faculdade, conheci um mundo gigante de filosofias, verdades e mitos. Não vou negar que me tornei realmente mais “culto” como diriam por aí. Só faltou o óculos porque a montanha de livros que foram surgindo para eu ler, pesquisar, estudar virou um precipício inimaginável. E não discordo que aprendi muito, mas desaprendi muito também. Na época do blog eu escrevia sem me preocupar com a morfologia e até mesmo com a sintaxe, com a lingüística e tantas definições que vieram para por rédeas nas palavras. É um assunto legal, mas complicado (a gente fala disso em outra oportunidade, okay?) Detesto estrangeirismos, mas usei para entender melhor o que eu quero dizer. Voltando, eu escrevia como criança. Escrevia sem limites. Hoje, adulto talvez, mais maduro, compreensível e com alguns pêlos de barba sobre a cara, e com um pacote de perguntas sobre a vida, o ser humano, a sexualidade, o amor e a paz, fico surpreso diante de tanta responsabilidade. Eu não sabia que a gente só crescia quando a responsabilidade fosse o grito maior em nós.
Bem, depois de ler tantas vezes o blog spot intitulado “atrás do que fica atrás do pensamento” do Leonardo, grande amigo de Governador Valadares, que foi buscar sua paz inquieta do outro lado do mundo, gerei o desejo de criar esse blog.
A gente investe bem quando sente que é a hora certa. O contrário se transforma em cansaço. Na vida é preciso fazer a escolha certa. Nem sempre acertaremos, mas é preciso arriscar.
Ontem, “... um dia frio, um bom lugar pra ler um livro...” , como canta Djavan, sentei no sofá da sala e ali, tomava o meu café. Sabe que por hora, o coloquei no chão, sobre o tapete e fui escolher um Cd legal pra ouvir. Fui até meu quarto, o peguei e voltei para a sala, coloquei a canção e deitei no outro sofá. Deitado, e aos poucos sendo mutilado pela canção, eu descobri que eu existia. Foi quando olhei para o lado, e bem ali, havia um copo com resquícios de café e um lugar vazio. Eu havia passado por ali. Eu havia modificado aquela realidade, mesmo que de uma forma tão simples, mas profunda. Um copo de café esquecido me devolveu a verdade sobre a minha existência. Pude entender que estou bem mais crescidinho e levar a vida em tons reais é um desafio necessário. E talvez seja no conflito que a vida faz crescer... Termino com uma frase de um amigo tão sábio, poeta e profundamente humano que disse bem assim: “Vida que se reparte, é arte, parte que se cumpriu”.
Minhas epifanias é apenas uma forma, um jeito de descobrir que nada é em vão, nem mesmo as tardes que me ardiam dezembradas.
Rodrigo Rudi
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