"O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo,
preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos
para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos,
sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito. Gramados batidos de sol, poços
claros. Alguma coisa então pára, todas as coisas param. Os automóveis nas ruas,
os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos
ver aqui do fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia-noite
em ponto. Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar. Quero ficar
assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de
ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse
jeito se despedaça. Torre fulminante, o inabalável vacila quando começa a brotar
de mim isso que não esta completo sem o outro".Caio Fernando Abreu.
domingo, 29 de julho de 2007
Like an angel...
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