terça-feira, 26 de maio de 2009

A beleza da espera .


Fico a pensar que as relações não dão frutos, porque o tempo necessário para o amadurecimento não é permitido. É podado antes da hora. Cria-se uma expectativa em depositar no outro a salvação das nossas carências e o essencial fica esquecido. Cada vez mais o homem contemporâneo traz essa marca de solidão. Isso é fato na literatura e, mais que fato em grandes páginas de livros, é a grande "mancha" que o homem pós-moderno possui. Assim é comigo ... Assim é com você !

Exigimos que o outro seja reflexo da idealização que formamos dentro de si. Repito: cria-se expectativa e acelera o processo de olhar o outro com olhos demorados. Chegar no outro ou ter ser favorecido pela surpresa de alguém na vida da gente é simples ... mas corremos o risco de não mantê-lo por perto se o nosso egoísmo de nos satisfazermos for maior que a lição da espera e do olhar demorado. Conhecimento não rima com pressa. Amor também não.

As pessoas que você mais ama, são aquelas que você mais conhece. Por que no namoro seria diferente ? Namoro é justamente esse tempo de aproximação. Quem acha que receber o sim de alguém é garantia de um namoro feliz, ainda precisa ir além. É aluno na fila de espera para aprender as lições da vida. Receber o sim é partida. Olhar demorado para o outro, o acolhendo na perfeita alegria e o reconhecendo como alguém que vale à pena nos degraus mais baixos da vida é caminho .

Um amigo muito querido me pediu para eu analisar uma letra de música e partilhar com ele o que eu havia encontrado. Inicialmente achei estranho. O que encontrar numa letra de música além do que se canta ? Aceitei o desafio . Com aquela pequena letra diante de mim, me arrisquei a ir mais fundo no que ela poderia me ensinar. Confesso que a primeira leitura, a parcial foi simples e com resultado intediante. Bem, só uma história chatinha de um homem que quer voltar a ser menino para reencontrar a sua amada.

Não me contive apenas com essa resposta. Fui além. Dividi cada estrofe, analise demoradamente cada verso, observei a estrutura gramatical das palavras, debulhei cada valor que uma possuía e fui tecendo ali, naquele instante, o significado e a beleza de cada parte. Em cada verso e em cada significado eu descobria o que pela passagem rápida dos meus olhos eu não havia encontrado. Por fim, partilhei com ele a beleza de ter demorado em cada linha para revesti-la de um novo significado. E em seguida ele me disse: "Rodrigo, eu não tinha visto e nem fazia ideia desses detalhes."

Como ele é cantor, perguntei: "Mas para quê você quer essas interpretações?" E com tamanha sabedoria me respondeu: "Para eu saber o que estou cantando."

Na vida também é assim ... a gente só ama aquilo que formos capazes de conhecer. A grande raiz dos nossos fracassos nos relacionamentos, talvez seja a pressa que temos em querermos frutos que só virão com o tempo e, com olhares demorados. Desacelerar é um dos verbos que promete felicidade! Ao menos, seja rápido para compreender o que seja o amor. O que dá testemunho de nosso amor não é a declaração que fazemos por meio das palavras, mas é a linguagem dos gestos que concretizamos diariamente ao saber que o outro, assim como eu, precisa ser encontrado, não esbarrado.

Rodrigo .

Um comentário:

T.F. disse...

amei o q escreveu.
e concordo com tudo.
fiquei surpreso por vc ter passado la no meu. :)
que bom.
beijos