
Certa vez, um amigo do grande pintor Van Gogh disse a ele: "Seus quadros ficam feio porque você pinta depressa." Van Gogh respondeu: - "Não sou eu quem pinto depressa. É você quem o enxerga depressa demais." Assim sou eu, árduo por olhar de forma demorada, contemplativa para não perder as belezas dos detalhes. Existem pessoas que enxergam depressa demais e se perdem dos detalhes mais bonitos que o outro tem à mostrar, mas que requer mestria e preparo no olhar de quem a encontra. Tenho absoluta certeza que muitos já me enxergaram com pressa - e foram exatamente as pessoas que não voltaram à minha casa, não sentaram à minha mesa e muito menos celebraram o amor ao meu lado. Pessoas que se foram porque não tiveram sabedoria em compreender o espaço necessário para me encontrarem. Por isso, vivo a vida buscando ser mais sereno no olhar o outro. Não sei o que virá. Eu sei o que enxergarei na medida da minha paciência. Amores também são assim: a gente tem a tendência de querer enxergar depressa e, na velocidade do olhar estético, a gente sepulta as flores da alma. Por isso que o amor depende de tempo, construção, cotidiano, chuva e sol para revelar o verdadeiro sentido de sê-lo. Querer encontrar alguém é diferente de apressá-la com o que queremos apenas enxergar. Por isso que grandes conquistas só se celebram na vitalidade do convívio e do tempo, sereno, sem pressa alguma.
Que eu seja capaz de aliviar os meus passos, acalmar o meu peito e acender o farol dos meus olhos para encontrar os detalhes, estes que serão responsáveis por eu amar de forma única cada pessoa que eu encontrar em meu caminho. E que a minha pressa seja apenas para me fazer mais homem e humano no detalhe de observar o essencial no outro. Eu quero a pressa de não ter pressa ao te encontrar.
4 comentários:
"Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo"
(Oswaldo Montenegro)
lendo o que você escreveu eu me lembrei de tantas vezes que fugi de tantas pessoas, não por pressa, mas por medo, por preguiça, por pouco caso. as vezes a gente espera acontecimentos magníficos, fantásticos, com estrelas em volta... mas não percebe beleza no que está a nossa frente, seco, gosso, sujo, natural.
e desejo o mesmo que você. " que eu não tenho pressa dos acontecimentos, que eu me permite vivênciar com naturalidade todos os processos da vida, com dores, com alegrias..."
Me apaixonei por suas palavras, a primeira vista. Devagar, saboreando-as, assim como o próprio post.
Completamente apaixonado!
Poxa, não sei nem o que escrever. Na verdade estava procurando essa citação e a achei no teu blog. Mas confesso que gostei do que você escreveu. Também gostei das postagens anteriores. Bonitas. Diria até profundas. Enfim, parabéns! Flávia.
E o que eu quero é sair por aí, sem ter pr'onde ir e um lugar em que eu possa ficar, um cantinho pequeno, um porto sereno, ficar a embalar, o que resta de mim...
E o que eu quero é parar por aqui, pra ver pr'onde ir e um lugar em que possa ficar...
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