quarta-feira, 28 de maio de 2008

Corpos de diamante.


Era apenas mais um encontro. Mais uma tentativa de encontrar um amor que fora predestinado para ele em cartas e sonhos. Agora, estavam a poucos metros de distância. Telefone tocando no bolso - era ele, a espera do outro do lado de fora daquela rodoviária. Depois de longas conversas pela internet, ambos estavam ali, a metros dê distância para amarem. O sol era quente e estava de lua de mel com o mar. Enquanto isso, os ventos ensaiavam uma nova dança e varria as folhas que a segundos os pés dele haviam pisado - o amor passou por aqui.
Quando ele avistou o carro, ainda que preto, ele identificara uma grande luz por dentro - era um misto de sorriso com sonhos, bagagens e malas refeitas: era apenas um homem também em busca do mesmo porto seguro. Ao se tocarem as expectativas foram caindo entre os bancos e recobriam a solidão que forrava o tecido daquele espaço. Entre as pequenas gretas daquele carro, o amor escorria como água límpida pronta a lavar os excessos de superficialidade que haviam passado por ali.
A aproximação das mãos, o cheiro, o toque, a presença foram sujeitos que acordaram do sono da representação e naquele instante o mundo não existiria mais - restara apenas o amor encontrado, bem ali, fulminante dentro de um carro em plena sexta-feira de maio. Os olhares que sangravam mel e riscavam o chão da existência por onde passassem.
Enquanto almoçavam, o amor preparava todo ritual de entrega nos pequenos detalhes. Porque o amor é feito de miúdezas. Esta que ocupa os menores detalhes, mas ocupa a tarefa de recolher o que de mais bonito ambos lançam sem perceber. Pequenas sementes que esperam o olhar do outro para germinarem.
Frases interrompidas, gargalhadas em fluxo, pequenos toques de fogo ... olhar ladrão que roubava por segundos o outro e o guardava dentro de si para ninar.
Aos poucos ele era seqüestrado pela presença do outro, deixando bilhetes ao chão, mágoas atrasadas e solidão de estimação apenas em rastros. O lugar era para o amor, o presente ali, doado milagorsamente pela vida. Quando os dois tocaram a mão um do outro, houve um suspiro de amor e um pequeno diálogo...

- O que você quer ?
- Eu ?
- Sim.
- Ah, o que eu quero agora está em minhas mãos.

A única lei que prevalecia naquele momento, a única verdade, era que os dois existiam um no outro, e a única lei capaz de uni-los para sempre ... era a lei do amor. A mesma que rege o coração dos verdadeiros amantes.
A tarde feliz ia adormecendo com os olhos molhados de amor, esperando o próximo dia para colher os frutos do amor que aqueles dois haviam decidido plantar.

- Aperte o 5, amor.
- Beijinho, beijinho ... dá beijo !
(...)
- Upa, é aqui.
- Entre.
- Ah, sim ! Obrigado.

Entre pequenos "fons, fons" e sorrisos, a noite entregava aos dois um céu de estrelas ... porque o sonho, ah o sonho ... era um estar dentro do outro para não se perderem nunca mais. Ali na cama, dois corpos de diamantes prontos para oferecerem ao outro, as lapidações necessárias e o pérpetuo brilho do amor.

Eles já não estavam mais ali.
Porque um estava dentro do outro,
e ambos dentro do amor.


Rodrigo .

3 comentários:

Anônimo disse...

isso eh uma declaração de amor implícita?

está namorando?

que inveja!

queria que fosse eu!

Laysla Fontes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laysla Fontes disse...

'Eles já não estavam mais ali. Porque um estava dentro do outro, e ambos dentro do amor.'

Quando venho e vejo a forma como você descreve o amor, sempre saio com as suas palavras guardadas para que dêem ainda mais brilho aos sentimentos que já existem em mim. A maneira como você descreve o amor é tão doce, tão pura. E doçura, eu quero muito!

Um beijo querido!
Saudades.

Pizza hein?! :)