
Era apenas mais um encontro. Mais uma tentativa de encontrar um amor que fora predestinado para ele em cartas e sonhos. Agora, estavam a poucos metros de distância. Telefone tocando no bolso - era ele, a espera do outro do lado de fora daquela rodoviária. Depois de longas conversas pela internet, ambos estavam ali, a metros dê distância para amarem. O sol era quente e estava de lua de mel com o mar. Enquanto isso, os ventos ensaiavam uma nova dança e varria as folhas que a segundos os pés dele haviam pisado - o amor passou por aqui.
Quando ele avistou o carro, ainda que preto, ele identificara uma grande luz por dentro - era um misto de sorriso com sonhos, bagagens e malas refeitas: era apenas um homem também em busca do mesmo porto seguro. Ao se tocarem as expectativas foram caindo entre os bancos e recobriam a solidão que forrava o tecido daquele espaço. Entre as pequenas gretas daquele carro, o amor escorria como água límpida pronta a lavar os excessos de superficialidade que haviam passado por ali.
A aproximação das mãos, o cheiro, o toque, a presença foram sujeitos que acordaram do sono da representação e naquele instante o mundo não existiria mais - restara apenas o amor encontrado, bem ali, fulminante dentro de um carro em plena sexta-feira de maio. Os olhares que sangravam mel e riscavam o chão da existência por onde passassem.
Enquanto almoçavam, o amor preparava todo ritual de entrega nos pequenos detalhes. Porque o amor é feito de miúdezas. Esta que ocupa os menores detalhes, mas ocupa a tarefa de recolher o que de mais bonito ambos lançam sem perceber. Pequenas sementes que esperam o olhar do outro para germinarem.
Frases interrompidas, gargalhadas em fluxo, pequenos toques de fogo ... olhar ladrão que roubava por segundos o outro e o guardava dentro de si para ninar.
Aos poucos ele era seqüestrado pela presença do outro, deixando bilhetes ao chão, mágoas atrasadas e solidão de estimação apenas em rastros. O lugar era para o amor, o presente ali, doado milagorsamente pela vida. Quando os dois tocaram a mão um do outro, houve um suspiro de amor e um pequeno diálogo...
- O que você quer ?
- Eu ?
- Sim.
- Ah, o que eu quero agora está em minhas mãos.
A única lei que prevalecia naquele momento, a única verdade, era que os dois existiam um no outro, e a única lei capaz de uni-los para sempre ... era a lei do amor. A mesma que rege o coração dos verdadeiros amantes.
A tarde feliz ia adormecendo com os olhos molhados de amor, esperando o próximo dia para colher os frutos do amor que aqueles dois haviam decidido plantar.
- Aperte o 5, amor.
- Beijinho, beijinho ... dá beijo !
(...)
- Upa, é aqui.
- Entre.
- Ah, sim ! Obrigado.
Entre pequenos "fons, fons" e sorrisos, a noite entregava aos dois um céu de estrelas ... porque o sonho, ah o sonho ... era um estar dentro do outro para não se perderem nunca mais. Ali na cama, dois corpos de diamantes prontos para oferecerem ao outro, as lapidações necessárias e o pérpetuo brilho do amor.
Eles já não estavam mais ali.
Porque um estava dentro do outro,
e ambos dentro do amor.
Rodrigo .
3 comentários:
isso eh uma declaração de amor implícita?
está namorando?
que inveja!
queria que fosse eu!
'Eles já não estavam mais ali. Porque um estava dentro do outro, e ambos dentro do amor.'
Quando venho e vejo a forma como você descreve o amor, sempre saio com as suas palavras guardadas para que dêem ainda mais brilho aos sentimentos que já existem em mim. A maneira como você descreve o amor é tão doce, tão pura. E doçura, eu quero muito!
Um beijo querido!
Saudades.
Pizza hein?! :)
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