quarta-feira, 28 de julho de 2010

Concebido pela palavra.




Heidegger, filósofo alemão, escreveu que só nos tornamos "ser" humanos quando a linguagem nos concebe. E a partir desse elo a inter-relação acontece.

Recordo-me do livro de Gênesis: "No princípio era o Verbo.";"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós." Embora Heidegger, não trate de pressupostos teológico, percebo os laços que se entrelaçam neste tecido de significados que a vida humana possui.

A palavra, em sua essência, tem o bonito poder de bem dizer e mal dizer. Fomos formados, concebidos, e nascemos por causa de palavras envoltas de desejos. Como nos ensina Heidegger - o saber está ligado ao fazer.

Nossos pais vieram das palavras bem ditas de nosso avós. E nós, das palavras dos nossos pais. Talvez nunca tivessem ouvido falar dos grandes filósofos, nem de Heidegger, mas foram unânimes como servos da Palavra do Bem.

O bonito nesta vida, minha gente, é renovarmos, constantemente, esse ciclo natural de significados: nascemos dos melhores verbos, e estamos sendo humanizados, diariamente, por meio de palavras que germinam nossa essência.

Podemos ser humanos a partir do que colecionamos dentro da alma. É escolha diária.

Talvez seja por isso que a poesia tem poder humanizador. Não existe mentira diante de tal preciosidade. Só suportará o seu poder transformador, o leitor que for capaz de permanecer despido à sua luz.
Quem se aproxima de algum poema para dominá-lo, será amarrado pelo própria ignorância.
O poeta é servidor de sua Poesia.

Beiro à morte quando nego esse poder revitalizador, puro, infinito, teológico, sacro, epifânico que a palavra possui.
A alma da palavra é a generosidade.

Saí da faculdade achando que ela estaria sob o meu domínio. Puro engano! Porque só entrei na Vida, depois que ela, verdadeiramente, me dominou.

Não posso ser nada, sem antes ela Ser em mim.

Um comentário:

Wesley. disse...

É lindo constatar e perceber o quão importante é a palavra, diante de tanta desvalorização, encontrar seres que se distinguem exatamente por essa valoração é prazeroso...
Lidar e trabalhar com a palavra realmente requer aquilo que ressaltou "generosidade!".
Nos distanciamos tanto do humano, aproximando do animalesco, talvez, seja a própria palavra que trás novamente a humanidade para aquilo que a muito deixa de ser humano, sensível, belo, digno...
Abraço de urso (acolhedoras palavras a suas)...