segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ninhos.



Encontrar o outro não é tão difícil. O grande erro seja fazer o ninho em lugares impróprios. Deixa-se de lado a demora no olhar, em troca do aceleramento do abraço vazio, dos amassos ilsuórios e o que mais existir de necessário para celebrar e suprir o ardor da pele. Festa que acaba antes do sol amanhecer, deixando rastros de prazer que se evaporam, como as gotas da chuva ao encararem as forças do sol.

Os pássaros escolhem o lugar mais discreto e escondido para gerarem vida, despertarem calor, marcarem presença junto ao outro. Não existe passagem avulsas de coisas, nem o incômodo da mão do vento a levá-los embora. O que existe é a verdade do lugar certo para o encontro definitivo. Depois eles voam livres porque foram gerados no lugar certo e cresceram saudáveis.

Os amantes deveriam aprender que ninguém faz ninho no corpo, o movimento nele é grande e passageiro. Os ninhos são feitos no olhar.

4 comentários:

Unknown disse...

Os ninhos sao feitos de magias. magias cotidianas que são valorizadas quando tudo parece descartavel. Tudo parece maquiagem.

Diana disse...

Ninhos podem ser desmanhados como um anacoluto ocular. Mas, renegar um olhar e esquecer um ninho feito de braços aveludados é impossível.

T.F. disse...

o olhar de admiração, carinho e respeito deve ser eterno. e terno. já outros apressos assim como começam de forma efêmera, se vão da mesma maneira. valorizemos o eterno.

adriano disse...

Sempre que leio seus textos, fico refletindo sobre algumas coisas!

Bom post!!!