quarta-feira, 23 de julho de 2008

nunca o amor foi assim




nunca houve um tão imenso lago
onde o rosto pudesse banhar
sem o receio de outrora...
nem o medo aplacar sem o engasgo
viscoso na aurora...

nunca houve um tu tão imerso em mim
quando a festa do sol e o sono lunar
não tivesse um fim...

nunca houve a palavra mansa,
a calidez do tépido beijo - entre a fadiga e a sesta-
a não buscar na testa
a auréola de anjos escusos
nem o paralelo de horas
ou os minutos difusos
dispersos em meu relógio de brisa
a rasgar meus farrapos em trapos
da numerada frisa
de onde assisto ao drama de meu renascimento...

nunca guiei um dia sequer,
sem a pena por detrás das grades
de mim, este ser qualquer,
renegado e tísico no Hades
a buscar um beijo lucifer...

nunca um nunca foi tão pleno,
tão próspero e tão cântico sereno,
deste homem sem cartola e sem vintém...

nunca o além foi logo ali,
me deponho e me devolvo para ti!
(de rodrigo barata para rodrigo rudi)

Um comentário:

Darlan disse...

Tava devendo essa visita, mashoje vim aqui e li TUDO! rs

A sensação é te êxtaese. Uma leveza causada por palavras tão belas, tão doces... *-*

Grande abraço, amigo!